sexta-feira, 29 de março de 2013

(Cinco anos depois...) 

Existem viagens que a gente não quer fazer, sabe, bate aquela sensação de que não é uma boa idéia, de que é melhor ficar em casa, bom, amigos são amigos, e recusar um pedido de amigo é chato, então nós fazemos coisas que, às vezes não queremos, só pra agradá-los. Foi o que aconteceu com MARK DUTRA, seu amigo Carlo tinha recebido uma ligação de um tio, que seu avô tinha morrido, e que ele herdara uma das fazendas que o velho tinha só que ele teria que ir à cidade pra assinar os documentos e passar tudo pro nome dele, e, como não gostava de viajar sozinho chamou seus amigos Mark, Susan, Adam e Hellen, e pegou o eco Sport vermelho que ele ganhara de seu pai e foi...
“Deixa comigo daqui pra frente, seu locutor” é narrador! “que seja eu assumo daqui em diante... Bom, galera, meu nome é MARK DUTRA e o que eu vou lhes contar aconteceu comigo há certo tempo, mas vamos recordar”...
A HERANÇA DO CARLO
Eu estava meio desanimado com aquela viagem, confesso, mas fazer o que? Era o Carlo, meu melhor amigo que nunca me negou nenhum favor, eu não poderia fazer isso com ele, e, além disso, fazia tempos que eu não viajava, era só trabalho, trabalho e trabalho, eu estava de férias há uma semana e não tinha ido a lugar nenhum, a não ser o super mercado e a padaria da esquina.
Aquele dia começou normalmente, eu acordei às 10 da manhã, escovei os dentes e tomei café, e fiquei assistindo um programa infantil, mas algo estava diferente era como se alguma coisa fosse acontecer, sabe tipo aquela sensação que vem antes de uma tempestade. Eu me lembro que minha mãe estava limpando a casa e passando em frente à TV o tempo todo, e eu levantei e saí resmungando:
__Essa velha chata resolve limpar a casa justamente quando eu to vendo TV...
__Me respeite, viu? Só porque você tem 20 anos não significa que eu não te dê uns cascudos, e, além disso, desde quando você gosta de desenho animado?
Na verdade ela estava certa, eu só falei aquilo pra implicar com ela, eu fui até a cozinha e ela me acompanhou falando:
__Você não falou que ia viajar com o Carlo?
__É hoje, vamos sair às 17 horas, ele disse que o tráfego é menor à noite.
__Eu não gosto da idéia de vocês saírem assim de noite pra um lugar tão longe, espero que ele dirija direito e não corra...
__Relaxa, mãe, a gente é doido, mas tem juízo, e por falar nele, eu to indo lá pra ver como ele está.
Eu saí, a casa dele não era muito longe, ficava a seis quarteirões da minha, mas era na mesma avenida. Estava quente, mas eu sentia um arrepio na espinha, era como se alguma coisa estivesse me avisando pra não ir nessa viagem, mas eu nunca liguei pra essa coisa de superstição, então eu não estava nem aí. Chegando perto da casa do Carlo eu ouvi uma voz suave e doce como mel, e conhecida, era a Susan, e seus cabelos castanhos seu olhos grandes cor de mel, sua pele morena, ela era modelo lá na cidade, estava acompanhada dos outros tripulantes da nossa viagem, o Adam, lutador de vale tudo, 1,90 de altura, 95 kg, era um monstro, eu ficava feliz por ser amigo dele, e não inimigo, apesar da aparência assustadora, ele tinha um coração muito bom, e só se via bater em alguém em lutas e campeonatos, sua namorada era a Hellen, loira, magra era modelo também da mesma agência que a Susan.
Seguimos para a casa do Carlo, ele já nos esperava na cadeira de balanço na varanda, e nos recebeu com um sorriso:
__Fala galera! Estão animados pra viagem?
__É pode ser- eu disse - não estou com muita vontade de ir...
__Nem vem Mark, vocês são meus melhores amigos, sempre estiveram presente nos acontecimentos importantes de minha vida...
__Ah! Ta!- disse a Susan- como o quê, sua primeira transa? Sua primeira vitória no need for speed?
__Enfim- Carlo concluiu se corrigindo- eu estou dizendo que vocês são as pessoas mais importantes pra mim. E eu nunca venci no need for speed.
__É isso que me deixa com medo de viajar com você, - eu disse- se você não consegue controlar um carro no jogo como vai dirigir um de verdade?
__Não enche, Mark, vocês vão e pronto! Não quero saber de desculpas, e, além disso, se vocês não for eu não deixo vocês participarem da festa que eu vou dar na fazenda.
__Não, a gente vai, a gente vai, não se preocupe.
__É, adoramos viajar com você.
O Carlo era um mauricinho que tinha uma vida boa, mas não andávamos com ele porque ele tinha dinheiro, era porque nós éramos amigos de infância, eu, ele o Adam e a Susan sempre estudamos juntos, e Hellen veio depois e se agregou ao grupo, logo começou a namorar com o Adam. A gente sempre ia pras baladas juntos, às vezes eu me perguntava por que eu andava com eles? O Carlo era o cheio da grana, o Adam era o fortão, a Susan e a Hellen eram modelos, e eu? Mas eles sempre me diziam que eu era o cara simpático que fazia todo mundo rir, eu não sei se isso me ajudava me sentir melhor ou pior, mas se eles gostavam de andar comigo, não era por piedade.
A hora da viagem se aproximava, e eu voltei pra casa pra me preparar, em dez minutos eu ouvi:
__BIP! BIIP!
Vamos logo, Mark!
Eu me despedi da minha mãe, e do meu pai que acabava de chegar do trabalho e fui.
__E aí, galera? Nossa! Susan, você ta um tezão, desse jeito vai levantar até o avô do Carlo.
__Não enche o saco, Mark, e você?
__O que tem eu?
__Isso é roupa pra um enterro? Bermuda e camiseta.
__Relaxa, lá eu me troco e coloco um terno preto.
Seguimos viagem, cantando, rindo e falando putaria, o Carlo tinha ido lá quando tinha dez anos, então, depois de 11 anos, muita coisa tinha mudado, mas ele afirmou que se lembrava do caminho.
__É, galera, não tem erro, a gente passa por um vilarejozinho chamado Vale Silencioso e 20 km depois é a fazenda, não tem erro, o que pode dar errado?
Talvez tenhamos falado cedo demais...

sexta-feira, 22 de março de 2013


O PIOR INIMIGO
Quando deu a noite fomos pra casa do Sr. James, mas o Junin não pôde ir, estava doente. Sr. James nos explicou que aquele só podia ser um dos guardas que ficou preso na carceragem, segurado pelos outros presos, com certeza ele foi direto pro inferno, isso explicaria muita coisa, mas pra ter certeza era preciso ver o cara, e nosso desejo foi rapidamente atendido, fomos surpreendidos por uma pancada forte na porta, que logo foi abaixo e aquela coisa entrou, e o lugar atrás dele começou a pegar fogo, e todos aqueles gritos e lamentações angustiantes foram demais pra mim, eu comecei a tremer, e de repente parecia que a gente estava na presença do próprio diabo, mas mesmo assim não nos intimidamos e metemos bala, em vão, é claro, sei lá, mas quando ele me olhou nos olhos, eu senti uma sensação de impotência, aí ele parou no meio da sala, o fogo se apagou e os gritos se calaram, e ele começou a falar:
__De fato, tenho que agradecer a vocês – sua voz era rouca, parecia um trovão – afinal, se não fosse o esforço de vocês para matar as criaturas que me aprisionavam, eu jamais sairia do inferno.
__Quer dizer que você é o diabo?- perguntou o Ulisses.
__Quase, eu sou o guarda Jones, eu fiquei preso no presídio quando houve o incêndio, e estava sendo mantido preso no inferno pelas criaturas da noite, que são as almas dos prisioneiros, mas depois que vocês mataram todas as criaturas não tinha mais ninguém que me impedisse de voltar.
Não dava pra acreditar, nós passamos tanto tempo matando as criaturas achando que iríamos ficar livres delas, e agora estamos diante de uma entidade muito mais poderosa que aquelas criaturas, agora tudo começava a fazer sentido pra mim, o porquê de nossos pais saberem e não fazer nada. Nada mais importava, naquele momento nós teríamos que salvar as nossas vidas, pois aquele cara no meio da sala só esboçava um riso do mal, e nos olhava como se estivesse planejando as piores atrocidades contra nós, por fim eu tive coragem e falei:
__E o que você quer?
__Eu quero me vingar por toda a tortura que sofri no inferno, quero descontar tudo na humanidade, e não vai ser vocês que vão me impedir.
__Nós não queremos te impedir - eu me adiantei e falei - queremos fazer um acordo...
__Que tipo de acordo? - os outros tentaram me impedir de falar, mas o monstro falou:
__Calem a boca!! Deixem ele falar... Diga, que tipo de acordo você quer fazer?
__É simples, você sai durante a noite, e se esconde durante o dia, e nós não sairemos durante a noite, e quem sair você pode matar.
O monstro deu uma gargalhada e disse:
__Pra que eu vou fazer um acordo com vocês, se eu posso simplesmente dominar tudo isso aqui? Acham que eu sou idiota?
Eu não tinha o que dizer, ele tava certo, a gente não tinha poder suficiente pra impedi-lo, então ele nos olhou, e novamente veio aquela sensação de medo, era intenso demais, começamos a tremer de medo, e ele nos olhava com aqueles olhos diabólicos, dava pra saber o que ele estava pensando, ele iria fazer todo o tipo de tortura conosco, ele queria nos causar todo o tipo de sofrimento e dor, e seu riso maléfico enchia aquela casa de medo, juntamente com nosso silêncio, estávamos apavorados, mas alguém tinha que fazer alguma coisa, então, no meio do pânico, eu saquei a doze e mandei uma bala bem no meio da testa dele... POW! Eu esperava a fumaça abaixar, quando sua mão veio com tudo e agarrou a cabeça do Sr. James, e com a outra mão ele segurou o corpo, e começou a puxar a cabeça do Sr. James, ele gritava de dor, seus gritos foram nos apavorando, até que ele não gritou mais, e o monstro arrancou-lhe a cabeça, aí o Albert falou:
__Mas ele já estava morto, isso não vai adiantar- o monstro olhou pra ele e disse:
__Engano seu, garoto, se eu arrancar a cabeça vocês morrerão e não voltarão mais.
Dito isso ele partiu pra cima do Albert, e o derrubou no chão, pisou na sua cabeça e o puxou pelas pernas, em seguida foi o Ulisses, aí eu peguei o braço do Kelvin e o puxei pra fora de casa, corremos muito pela rua e o kelvin perguntou:
__Mas como vamos fugir dele se ele não é como os outros?
__Não sei Kelvin, mas precisamos tentar fugir da cidade – eu corri até a minha casa e peguei o carro da minha mãe, era um Astra preto, e estava com o tanque cheio, enquanto isso o monstro já estava quase na frente de minha casa, eu dei ré, e parei no meio da rua, de frente para o monstro, eu olhei bem pra ele, e ele parou por um segundo e ficou me olhando, a gente teria que passar por ele pra sair da cidade, então eu não pensei duas vezes, 1ª, e fui com tudo, quando ele viu que eu iria acertá-lo, ele desviou e passou a nos perseguir, 2ª e eu já estava quase saindo da cidade, era uma reta de uns 10 km, e eu iria dar tudo que o carro tinha, 3ª e eu olhei pra trás, e o monstro estava a uns 15 metros da gente, ele era muito rápido pro tamanho dele, 4ª e eu já estava a mais de 100 km/h, o Kelvin me olhava com medo, ele não sabia se tinha medo do monstro ou de estarmos correndo tanto, mas eu era um bom motorista, 5ª marcha e estávamos a 195 km/h, eu pisei tudo no acelerador, e ouvi o Kelvin dizer:
__Ele ta ficando pra trás - mas a expressão do Kelvin era de medo ainda, e preocupação.
__Relaxa, Kelvin, eu sou bom piloto
__Eu não to preocupado com isso, nossos amigos foram mortos por aquela coisa, e, provavelmente nossas famílias vão ser mortas também
__Calma, eu vou conseguir ajuda e nós vamos voltar lá
__Que tipo de ajuda? O exorcista? Nem as forças armadas, nem o BOPE, podem com aquilo.
__E o que você quer que eu faça?
__Não sei...
__Olha, vamos fugir, sei que é triste o que houve, mas não tem outro jeito, a essa altura ele já matou todo mundo mesmo, não há mais o que fazer. Vamos salvar nossas vidas.
Ele concordou, afinal se a gente voltasse seria morto, então seguimos para longe daquele lugar infernal, e deixamos aquele demônio reinar lá, e seguimos nossas vidas como se a gente nunca tivesse estado em Vale Silencioso, mas o que nós não sabíamos, é que aquela cidade ainda ia dar muito que falar e que muita gente ainda ia morrer ali...

A ÚLTIMA CAÇADA
Passamos ainda muito tempo caçando, houveram vezes em que tivemos que fugir de alguma criatura, outras a gente perseguiu, mas sempre matávamos duas ou três por noite, decidimos então agir todos juntos, já que não tinha muito mais o que fazer, e ficamos caçando por um bom tempo.
Um dia nós saímos e eu observava a rua, havia corpos daquelas criaturas espalhados por todos os lugares, alguns já apodrecendo, o Albert olhou pra mim e falou:
__Dever cumprido, Sebastian, não tem mais nenhuma criatura em nossas ruas.
__Será mesmo? Eu ainda tenho a impressão de que falta alguma coisa...
__Mas do que você está falando?- disse o Ulisses- ninguém ta sentindo mais aquela sensação estranha, eu não to ouvindo nenhum berro mais, acabou.
__É, Sebastian, - disse o Kelvin- eu sei que depois de tudo que passamos dá mesmo essa sensação de que ainda estamos correndo perigo, mas não estamos.
Eu acabei me conformando, mas ainda tinha o pressentimento de que alguma coisa ainda ia acontecer, mas por via das dúvidas, fomos vasculhar a cidade, nós estávamos parecendo os caça fantasmas, armados até os dentes, e sem medo de nada, a maioria das pessoas no mundo não tinha idéia dos perigos que enfrentávamos, os nossos pais escondiam a verdade de nós, porque achavam que estaríamos mais seguros, mas só estivemos realmente seguros daquela noite em diante, ou não...
De repente, saltou do meio da escuridão uma criatura, e ela parecia bem assustada, ao invés de nos atacar ele fugiu, e a gente correu atrás, cada um com uma arma, e mandando bala. A criatura se escondia em um lugar, mas nós achávamos, ela fugia, mas a gente acompanhava, até que ela entrou num beco sem saída, e a cercamos, eu estava com minha boa e velha calibre doze, o Kelvin com um rifle, o Albert com outra doze, o James com outra, e o resto do pessoal com revolveres e pistolas. Mandamos bala no monstro como se fosse um condenado no paredão da morte, e ele foi caindo devagar, até que tombou de vez no chão.
De repente sentimos uma sensação de medo como a que sentíamos quando tinha um monstro por perto, mas essa era mais intensa era perturbadora, eu nunca tinha sentido tanto medo até aquele momento, e a gente ficou sem saber o que estava acontecendo, o medo era tão grande, que ninguém teve atitude de preparar as armas. Eu observei direito, estávamos tremendo de medo, mas antes que alguma coisa acontecesse, ainda pudemos ver o sol brilhar por tas das montanhas, o Albert ainda falou:
__Quebramos a maldição, galer... – ele não terminou, porque todos nós adormecemos naquela hora, e acordamos nas nossas camas.
Aquilo foi estranho, mas eu não queria que continuasse, então fingi que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava depois daquela sensação estranha. E ficamos muito tempo sem sair à noite, parecia que estava tudo acabado, exceto pelo fato da noite ainda estar se transformando, foram meses de caçadas, todo sábado à noite, a gente não agüentava mais aquela vida. Eu voltei a dormir cedo, e tudo estava bem, até que um dia o Junin chegou à minha casa de manhã.
__Sebastian, o Albert disse pra você ir lá, que ele quer te falar uma coisa, e é importante.
__Espere, que eu vou com você.
Ao chegar, o Albert estava com uma cara de preocupação, e o Ulisses e o Kelvin estavam lá com ele, eu, já imaginando o que era, arrisquei a pergunta:
__O que foi?
__Você tinha razão, ainda tem alguma coisa viva, nós deixamos uma coisa viva, e essa é diferente – ele falava andando de um lado a outro, preocupado – na noite passada, ele invadiu nossa casa e estraçalhou o nosso cachorro, e hoje de manhã o cachorro amanheceu morto e estraçalhado.
__Mas como assim? – eu disse – o que acontece na noite fica na noite.
__Parece que esse cara de agora não sabe dessa regra, ou não quer seguir.
__E o que vamos fazer?
__Não sei, eu atirei na cabeça dele, mas ele não morreu. Sebastian você tem noção disso? Eu descarreguei um pente de 380 na cabeça dele, e não errei nenhum tiro, foram todas as balas e não fez nem cócegas.
Eu nem sabia o que dizer, logo agora que a gente ia ter um pouco de paz, aparece essa, eu só perguntei ao Albert:
__E como era esse? Como era sua aparência?
__Esse era mais humano, só que tinha um olhar completamente demoníaco, e um sorriso de pura maldade, ele usava um uniforme de policial, todo rasgado, ele tinha hematomas e fraturas expostas por todo o corpo, eram ferimentos que uma pessoa normal não suportaria, onde ele andava, o lugar pegava fogo, e não era um fogo normal, as chamas tinham um tom de vermelho e laranja muito fortes, e de longe dava pra sentir o calor, era assustador, em alguns momentos, eu tive a impressão de ouvir milhares de gritos de agonia ao longe, como se viessem de trás dele, foi terrível, eu nunca mais tinha sentido medo de uma coisa dessas, até esse aparecer aqui.
__Temos que investigar, vamos à casa do Sr. James hoje.
O PEQUENO GRANDE CAÇADOR 
Passamos a semana toda planejando, o Albert não queria deixar seu irmão ir sozinho, mas não tinha outro jeito, era preciso. Quando o sábado chegou, nós sentamos no mesmo lugar, e ficamos falando sobre a nossa ultima caçada, enquanto eu olhava as ruas, as pessoas passando, crianças correndo e brincando, carros, motos, e quando chegava a noite, era como se aquilo tudo se transformasse em outro mundo, outra realidade, e até pra mim, que sempre tive a mente aberta, e sempre fui preparado para encarar esse tipo de coisa, até pra mim era difícil aceitar a ideia de que à noite terríveis criaturas andam pelas ruas, essas mesmas ruas que eu observava.
A noite chegou, e o Junin foi pra casa, o Kelvin foi com o Ulisses, e ficamos eu e o Albert, aí ele falou:
__Eu tenho medo de acontecer alguma coisa com meu irmão, não é só por causa dos meus pais, é por causa de mim, eu morreria por ele.
__Não vai acontecer nada, o Ulisses pode proteger ele, e não se esqueça de que é o James que vai estar lá, ele conhece essas criaturas como ninguém.
O tempo foi passando, eu e o Albert já tínhamos ido embora, e eu já estava dormindo, mas o Albert estava dando as recomendações ao seu irmão:
__Olha, se um monstro correr atrás de você vá para perto do Sr. James, ou do Ulisses, fique atrás deles, e não deixe faltar munições.
__Tá bom Albert, você já me falou isso.
__Tá, boa sorte, eu tenho que dormir, senão eu fico no outro mundo com você, espere dar meia noite, e vá para frente da casa.
O Albert tomou remédio pra dormir e logo adormeceu, e o Junin ficou esperando a hora chegar. Mais tarde, a luz apagou, e acendeu, só que mais fraca, o Albert tinha sumido, e entrava um vento frio pela janela, era o segundo andar, seria normal ventar, mas o Junin sabia que a transformação tinha acontecido, e olhou pela janela, de fato as árvores da rua estavam mortas, e o Ulisses já vinha andando com o James, de lá de baixo eles viram o Junin, e o Ulisses o chamou. Saíram pela rua e o Ulisses perguntou:
__Trouxe tudo? Mochila pra guardar as balas...
__Sim.
__Bicicleta, pra fugir dos monstros.
__Ah! Não esqueci a bicicleta, será que ela ta lá?
Voltaram e por sorte a bicicleta estava lá. Assim que o Junin saiu da garagem montado nela, o Sr. James já estava atirando em um mostro que vinha em direção a eles, aí eles correram, e o Junin conseguiu acompanhar, mas à frente tinha outro, e veio mais outro do lado, estavam cercados, o jeito era enfrentar, e os três monstros se aproximavam, e eles começaram a sentir medo, que foi crescendo dentro deles, de repente, de trás de uma criatura, saltou outra, era aquela que eles tinham visto pela primeira vez, e essa urrava e balançava a cabeça, e avançava cada vez mais, o Sr. James arriscou um tiro, mas errou, o Ulisses estava paralisado de medo, o James atirou novamente, mas a criatura desviou e deu um golpe no James, que caiu longe, e as outras criaturas foram dilacerar seu corpo, enquanto ele gritava de dor, o Ulisses não conseguia fazer nada, e a coisa avançava contra o Junin.
No meio da confusão, o Junin olhou para um lado, o James estava morto, com as tripas todas espalhadas pelo chão, o Ulisses estava tremendo, ele estava desarmado, se corresse a criatura alcançaria ele, se ficasse ela o mataria, então ele agarrou sua bicicleta, olhou para o monstro e arremessou sua bike que acertou no monstro, e esse cambaleou, foi o tempo necessário para o Junin pegar a doze e apontar para o monstro, quando ele se equilibrou, que já ia atacando o Junin puxou o gatilho, e o monstro caiu pra trás, e o Junin caiu com o impacto da arma, aí o Ulisses reagiu e pegou a outra arma e os dois mataram os outros três monstros. Depois o Junin falou:
__Olha, Ulisses, o Sr. James morreu.
__Ele já tava morto, Junin, amanhã de noite ele estará vivo, só me ajude a esconder o corpo dele, pra não ficar aí à toa.
Levaram para um carro que estava parado na rua, a porta estava aberta, então eles colocaram o corpo no banco de trás, mas aí já vinha um monstro perto, eles sabiam porque toda vez que tinha um monstro perto eles sentiam aquela sensação desagradável, então eles entraram no banco da frente do carro e se abaixaram, e viram as criaturas passarem todas indo para o mesmo lugar, e era cada uma mais feia que a outra, chifres, rabos, antenas, garras, tinha aquelas com pés de boi, e estavam indo em direção à floresta, aí o Junin falou:
__Vamos seguir eles, Ulisses, pra ver pra onde eles estão indo.
__Tá doido, moleque? Tem idéia de quantos tem ali? Trinta? Quarenta? E nós temos que ir procurar mais munições.
A gente encontrava munições nas casas das pessoas, porque a maioria dos moradores de lá eram caçadores ou militares aposentados. Todos os objetos que tem numa casa permanecem lá quando a noite se transforma apenas as pessoas somem, e quando um objeto é tirado do lugar na noite, de dia ele está lá, mas a noite ele some, é assim que conseguimos munições e mais armas.
Os dois voltaram pra pegar munições, e toparam com mais uma criatura, o Junin atirou, e derrubou, mas a criatura ficou se contorcendo no chão, e eles deram as costas, aí a criatura se levantou e atacou de novo, jogou o Ulisses longe e deu uma braçada no Junin, mas ele desviou e atirou, ele tava com um 38, o impacto era mais fraco, o tiro acertou o olho do monstro, que berrou e se enfureceu, e partiu pra cima, mas o Junin desviou de novo e mandou outro tiro, bem no outro olho, e depois atirou na cabeça e o monstro tombou morto. O Ulisses ficou admirado, afinal o Albert tinha pedido pra ele tomar conta do seu irmão, e estava acontecendo o contrário, ele é que estava salvando sua pele, como é que ele poderia ser tão corajoso, se era tão pequeno? Parecia que ele já fazia aquilo há muitos anos.
Quando conseguiram despistar os monstros, eles entraram numa escola, e ficaram escondidos atrás de uma prateleira de livros, até que veio o sono, e acordaram na cama. O Albert acordou junto com o Junin, e foi logo perguntando:
__E aí? Como foi?
__ A gente matou umas criaturas, mas teve uma que matou o Sr. James.
__Ele não morre, ele fica preso na noite...
__Eu sei, o Ulisses me contou.
Mais tarde, os cinco se encontraram, no mesmo lugar debaixo da árvore da rua, e o Ulisses contava sobre a noite anterior:
__Cara, foi muito louco! Eu tinha que proteger o Junin, mas foi ele que me protegeu, principalmente quando o James morreu, ele matou um monstro, e desviou de seus ataques.
O Ulisses continuou falando do Junin durante a tarde toda, e eu olhava pra ele, e achava estranho, parecia que a pessoa que o Ulisses falava e o Junin eram pessoas diferentes, era difícil acreditar que aquele garoto era capaz de tanta coisa, realmente ele tinha surpreendido a todos.

domingo, 3 de março de 2013









LUTAR
Depois de descansar alguns dias eu chamei a galera, tava na hora de lutar, agente tinha que acabar com aqueles monstros, marcamos para nos encontrar na casa do Albert, pois os pais dele tinham viajado, era o quartel general perfeito. Quando chegou a hora da reunião, estávamos todos lá, o Albert já foi se adiantando:
__Olha, galera, temos que analisar as qualidades e defeitos de cada um, pra que nenhum trio fique mais fraco que o outro.
__Então vamos lá- disse o Kelvin.
__Bom, o Sebastian tem uma boa pontaria, mas quando é pego de surpresa, fica paralisado, já o Kelvin é medroso, mas sempre faz a coisa certa na hora do pânico, e eu sou corajoso, mas me atrapalho sob pressão, o Ulisses é bom com pistolas, e é bom de mira, o que economiza munição, mas também fica paralisado quando vê uma criatura, e, bom, o Junin não serve muito para enfrentar os monstros, mas pode carregar as munições, porém temos o James, que é um pacote completo, sem defeitos aparentes, o que dá equilíbrio ao trio que ficar com o Junin.
__Tá bom, sargento, então como vamos dividir?- eu disse.
__Assim: o Sebastian fica com o Kelvin, pois um completa o defeito do outro, e o Ulisses fica com vocês dois...
__Não dá certo, Albert- disse o Kelvin- se uma criatura aparecer de repente, o Sebastian e o Ulisses vão me deixar sozinho na ação, tem que ser você.
__Mas eu tenho que tomar conta do meu irmão, ele tem que ficar no meu grupo.
__Olha, Albert- disse Ulisses- eu tomo conta do seu irmão, e tem mais, vocês não podem sair juntos na mesma noite, os seus pais podem desconfiar de alguma coisa.
__Tem razão- disse o Junin- eu tomo cuidado, Albert, eu quero ajudar.
O Junin, por mais que só tivesse seis anos, sempre foi um garoto esperto, e eu sabia que ele daria conta do lance, o problema era que o Albert era muito apegado a ele, eu não sei o que ele faria se alguma coisa acontecesse a seu irmão, mas tínhamos que pensar no trabalho que estávamos assumindo, seria melhor para a equipe se o Albert ficasse junto comigo e o Kelvin, o Ulisses podia proteger o Junin, e tudo ficaria bem.
No sábado eu amanheci lembrando o que iria fazer a noite, e fui até a casa do Kelvin, e toquei a campainha e o Kelvin abriu a porta, e falou:
__Que droga, Sebastian, eu já tava esquecendo o que vou fazer a noite, aí você aparece, o que foi dessa vez?
__Nada, é que eu não tinha nada pra fazer, então, resolvi vir até aqui, pra gente bolar um plano de ataque.
__Sei, por que não chamou o Albert?
__Porque ele ta trabalhando na locadora, e só sai à tarde, mas agente explica pra ele o que agente combinar aqui.
Armamos o plano, e quando chegou a noite, agente se encontrou num banco da praça, eram 18h30min, as pessoas começavam a se recolher, algumas chegavam do trabalho, e todo mundo que passava por nós, olhava como se perguntasse o que agente estava fazendo que não tinha entrado ainda, até que a mãe do Albert passou e falou com ele?
__Albert, se despede dos seus amigos e vamos embora, está anoitecendo, e quem te mandou trazer seu irmão?
Ele se despediu da gente, e foi. O resto de nós foi para casa também, e os que iam sair à noite estavam prontos para a primeira noite de caçadas. Em casa, eu fui jantar e minha mãe começou me perguntar o que eu tanto falava com os meus amigos, eu dava respostas evasivas, depois do jantar, eu fui pro meu quarto, dizendo pra ela que estava com sono, ela acreditou. Eu tentei fazer o máximo de silêncio, mas fiquei arrumando minhas coisas, colocando munição na arma, e preparando o psicológico, depois eu me deitei na cama e fechei os olhos, fiquei imaginando, tantas pessoas no mundo, e poucas sabiam sobre o mal que agente enfrentava, sobre as criaturas obscuras que saíam das sombras dos becos, e eu fiquei imaginando isso, e como seria se a sociedade soubesse. Não sei quanto tempo levei pensando nisso, mas de repente percebi que estava frio, e quando abri os olhos, percebi que a porta do meu quarto estava caída, e minha janela estava aberta, então eu saí pra frente da casa, pois logo o Albert e o Kelvin estariam lá.
Não demorou muito pra eu começar a ouvir os urros das criaturas, e aquilo foi me causando um certo mal estar, eu queria que os caras chegassem logo, mesmo estando bem escondido, no escuro debaixo da árvore, logo eu ouvi um disparo, e eu saí da sombra pra ver, eram eles, e tinha uma criatura atrás deles, e era rápida, o Albert atirava e corria, e a coisa desviava, quando passaram perto, eu engatilhei a doze e mandei um tiro bem na cabeça, mas ele não caiu, apenas cambaleou, e pegou uma lata de lixo e jogou contra mim, eu corri pra não ser atingido, e continuei atirando, logo o Albert ficou ao meu lado, e atirou também, depois foi o Kelvin. Ficamos os três atirando, e parecia que não adiantava, porque ele era muito rápido, e era mais esperto que os outros, ele jogava coisas na gente, e tínhamos que desviar. Essa movimentação toda atraiu mais um monstro, e esse era aquele com pés de boi, não era tão inteligente, então eu disse:
__Galera, eu pego o pés de boi, cuidem do outro.
Eu corri para outra direção, e o monstro me acompanhou, aí eu entrei num beco, e preparei a arma, quando ele apareceu... POW!!!, Bem na cabeça, abriu um buraco que cabia meu pé, depois eu voltei e os outros estavam fugindo, de dezenas de criaturas que vinham atrás deles, eu comecei correr junto com eles, e entramos numa lanchonete, mas lá já havia um monstro, que de cara nos atacou, saímos rapidamente, e os outros já estavam perto, corremos até o hospital, entramos e fomos por um grande corredor, lá no fim tinha uma sala, e nós entramos nela, estava escuro, mas o Kelvin tinha levado uma lanterna, acendemos e iluminamos, não tinha monstro lá, então fechamos a porta e escoramos com uma mesa grande de madeira que tinha lá.
Ainda pudemos ouvir os passos das criaturas, e os urros, eles estavam olhando sala por sala, parecia que todos estavam sob o comando de um só, e eles estavam chegando perto, até que chegaram a nossa porta, começaram a bater, a empurrar, e a porta começou a quebrar, não tinha pra onde correr, nossa munição não dava pra matar todos que estavam ali, tinha mais de vinte, começamos a sentir medo, e esse medo foi crescendo, a lanterna apagou, o Kelvin deu uns tapas nela, mas ela não acendeu, e ele era o mais medroso, começou a tremer, eu também estava com medo, era o medo incomum e intenso que a presença daquelas criaturas causavam, agente se sentou num canto da sala, e ficamos lá encolhidos, nossas armas não serviam de nada se não tínhamos coragem para enfrentar, aos poucos eles foram quebrando a porta, até que arrebentaram de uma vez, aí nós sentimos o sono e adormecemos, mais ainda deu tempo do Albert dizer:
__Salvos pelo gongo...
Acordamos na cama como sempre cansados, e aquele domingo seria para contar aos outros sobre o que fazer afinal, nós tínhamos descoberto que por trás daquelas criaturas de pouca inteligência, tinha um que era mais inteligente, e comandava os outros, era o que tinha chifres curvos, dentes grandes e tortos, e os olhos pequenos, mas com um brilho vermelho diabólico, esse era difícil de matar, então nós avisamos o outros pra fugirem dele, e matarem os de pés de boi, e os outros que tinham a pele escamosa, pois esses eram mais fracos.

LUTAR OU FUGIR?
Eu sabia que não podia vencer a maldição. Então pensei em conviver com ela, mas os meus amigos, não se conformaram, e resolveram acabar com todas as criaturas, e eu, claro, não iria ficar de fora dessa.
Demos um tempo nas saídas à noite, agente estudava, e tinha que cuidar pra não tirar notas ruins, mas um dia, saindo da escola, o Ulisses veio me chamar:
__Sebastian, queremos falar com você.
Eu já sabia o que era, pois depois do que passamos, eles não tinham mais outro assunto, mas mesmo assim, eu arrisquei a pergunta:
__Sobre o quê?
__Como se você não já soubesse, nós vamos caçar hoje à noite.
__Caçar o quê?
__Pára de se fazer de besta, você vem ou não?
__Não sei, eu tenho medo do que pode acontecer, eu já te falei o que aconteceu com o velho James, eu não quero ficar preso na noite de Vale Silencioso.
__É? Pois eu tenho medo de um dia uma coisa dessas entrar na minha casa.
Eu não dei resposta, mas ele já sabia que eu ia. Quando a noite chegou, eu fiquei na minha, pra minha mãe não desconfiar de nada, e quando ela dormiu, eu saí, levando a doze e muita munição. E novamente eu estava na frente da minha casa, já era natural ver aquela paisagem noturna, a névoa, os urros das criaturas ao longe, a porta da sala caída, mas aí eu me lembrei de uma coisa: de ver se minha mãe acordaria se eu fosse lá ao quarto dela, então eu entrei em casa de novo, e fui andando pela sala, até o quarto da minha mãe, e quando abri a porta tive a maior surpresa, ela não estava lá, de início eu fiquei assustado, ‘e se um monstro daqueles matou ela?’, então eu comecei a chamar por ela, mas por azar, quem me ouviu foi uma criatura que passava na rua, que respondeu com um urro, eu me virei e preparei a doze, mas a coisa veio porta adentro, e me deu um golpe que me jogou na parede do outro lado do quarto, e eu caí, longe da arma, ‘e agora? É o meu fim’, eu pensei, enquanto via apenas a silhueta do monstro se aproximando, já que a luz do quarto estava apagada, mas eu sabia que era aquele com pernas de boi, e ele ia me matar se eu não fizesse alguma coisa.
Ele ainda se aproximava quando eu resolvi passar por baixo da cama, ele estava do outro lado, e teria que passar por cima para me pegar, então eu esperei ele subir, e, quando ele subiu, eu rastejei pra debaixo da cama, e saí do outro lado, a criatura era grande, mas não era muito inteligente, então eu peguei a doze e saí, mas eu não podia esperar a galera na frente de casa, porque o monstro dentro de casa era burro, mas era inteligente o suficiente pra sair de casa e me procurar, então eu desci a rua, e logo veio aquela sensação de novo, eu disse comigo mesmo:
__Merda, eu já to de saco cheio desses monstros!- e depois eu gritei!- apareçam aí, idiotas, pra eu encher a cabeça de vocês de balas!
__Calma, cara, eu sei que nós praticamente te forçamos a vir, mas não precisa ser desse jeito.
Eu me virei, era o pessoal, mas ainda sentia a sensação, então eu falei:
__Galera, tem um aqui por perto.
__É mesmo, eu to sentindo- disse o Ulisses- preparem as armas.
Ele mal terminou de falar, e uma criatura surgiu de um beco escuro, o Kelvin correu e o Ulisses ficou paralisado, só sobramos eu e o Albert, eu dei um tiro bem na cabeça, e ela caiu morta no chão, e então eu, o Albert e o Ulisses ficamos parados olhando a criatura de perto, aqueles dentes enormes, um chifre curvo, parecia um demônio desses que agente vê na televisão, tinha uma pele marrom, e exalava um odor horrível. Enquanto agente olhava aquilo, o Kelvin veio correndo e gritando:
__Galera, lá vem mais um!
Nós preparamos as armas, e, assim que o Kelvin passou por nós, agente mandou bala, mas esse era rápido, e desviou, e com um só golpe nos jogou longe, eu acho que eu voei uns dez metros, enquanto eu voava, tentava me preparar para a dor que me aguardava quando eu caísse, e logo eu vi o chão se aproximando, e eu bati com tudo no asfalto duro e frio, eu senti como se todos os órgãos tivessem saído do lugar, era uma dor aguda, que eu achava que não ia suportar, mas minha maior preocupação era com o monstro, eu tinha que me levantar e lutar, ou quem sabe fugir, eu não iria suportar outro golpe daqueles, eu tinha que fazer alguma coisa, eu nem sabia se meus amigos estavam vivos, eu só sabia que ele estava vindo até mim, e eu não tinha forças pra levantar, doía tudo por dentro, e a arma nem estava comigo, tinha caído longe também, dessa vez eu não tinha como escapar, ‘bem que podia acontecer um milagre agora’, eu pensei, mas não estava acontecendo nada, eu olhei pros outros e eles se contorciam no chão também, gemendo de dor, pelo menos estavam vivos, mas por quanto tempo? É incrível como conseguimos pensar em tanta coisa num intervalo de tempo tão curto, mas parece que quando estamos à beira da morte o tempo corre lentamente, só que não foi lento o suficiente, o monstro já estava na minha frente, eu nem quis olhar, apenas encostei a testa no chão, e me preparei pra ser morto, pensei novamente no milagre, cheguei a pedir a Deus que me salvasse aí eu ouvi um disparo: POW!... E aquela coisa caiu em cima de mim, me esmagando, mas eu pude ver o Sr. James, e falei baixo: ‘obrigado Deus’.
Ele nos ajudou a levantar, eu o apresentei ao Ulisses e ao kelvin, o Albert já o conhecia, ele perguntou:
__O que vocês acham que estão fazendo, bancando os heróis?
__Não podemos deixar essas coisas passearem pelas nossas ruas, e ficar parados.
__Eu sei disso, mas olhe pra mim, eu tinha pensado a mesma coisa que vocês, eu queria apenas ter o direito de sair à noite, e agora estou semimorto, isso é frustrante, eu não tenho descanso, fico preso em uma droga de noite infernal, cheia de criaturas das trevas loucas para me estraçalhar, acham que eu queria isso, a noite deveria ter bares abertos, garotas de fio dental dançando em cima de uma mesa, os caras colocando dinheiro no rabo delas, pessoas enchendo a cara, voltando para casa chapados altas horas da madrugada, vomitando nos muros e calçadas. Mas não, em vez disso temos um monte de monstros assassinos passeando, e agora um bando de moleques metidos a heróis, na boa, garoto, não dá pra fazer nada, não cometam o mesmo erro que eu, vocês têm escolha, podem fugir da cidade, eu que não tive tempo.
Enquanto ele falava, veio o sono novamente, e nós adormecemos, acordando já em nossas camas, mas as dores do corpo ainda estavam presentes, eu quase não consegui me levantar da cama, doía tudo, e eu tinha que ir pra escola, tinha prova de história, e eu não estudei. Chegando à escola eu encontrei os outros, o Albert falou:
__Você estudou pra prova?
__Fala sério. Enquanto era arremessado por um monstro de três metros eu revisei a matéria antes de cair no chão...
__Temos que decidir o que vamos fazer –falou o Kelvin- isso ta acabando com nossa vida social, vamos matar monstros à noite e estudar de dia? Qualé, gente? Todos nós sabemos que não dá, o velho tinha razão, olha como amanhecemos quebrados hoje, é assim que vamos amanhecer todo dia se escolhermos essa vida.
__Escutaqui, idiota... - o Ulisses tentou falar, mas eu interrompi:
__Não, ele tem razão, não podemos forçar ninguém a fazer isso, se vamos enfrentar esses monstros, tem que ser pensado antes, não podemos ir todo dia, porque vai ser muito cansativo, vamos apenas aos fins de semana, e vamos dividir a turma, em dois trios, cada um vai um fim de semana, mata o que der pra matar, e se esconde até amanhecer, assim não corremos o risco de morrer.
__Tá bom, Einstein, - disse o Albert- somos só quatro, como você vai dividir em dois trios?
__Quem disse que somos só quatro? Tem o Sr. James, aposto que ele topa nos ajudar, e vamos precisar da experiência e conhecimento dele, e tem o seu irmão, o Junin pode nos ajudar.
__Acha que eu vou arriscar a vida do meu irmão? Ou melhor, acha que ele acompanha nosso ritmo? Sebastian, ele só tem seis anos.
__Olha, o Junin pode nos ajudar carregando as munições, ele pode ir de bicicleta.
__Sei não, cara, se acontecer alguma coisa com ele, como eu vou explicar pros meus pais?
__Não vai acontecer nada, fica frio. Ah! Temos que descansar, no próximo fim de semana nós começaremos.

EM BUSCA DE RESPOSTAS (PARTE 2)

Eu liguei pro Albert, e contei que iria lá de novo ele se prontificou a ir comigo, me mandou levar a doze, e esperá-lo na frente de casa. Novamente estávamos lá na rua, dessa vez podíamos ouvir até os urros das criaturas da noite ao longe, o Albert falou:
__Isso é o inferno, com certeza, vamos logo, não quero cruzar com outro demônio daqueles de novo.
Tarde demais, já tinha um vindo em nossa direção, era aquele com pés de boi, eu falei:
__E agora, agente corre ou enfrenta?
__Depende, se a casa do homem estiver perto, vale a pena correr, mas se estiver longe, agente enfrenta.
__Tem que dobrar na próxima esquina, e seguir até o fim da rua, aí entra à direita e chega.
__Vamos correr e dobrar a esquina, se o monstro continuar agente enfrenta.
Assim fomos, corremos para a esquina, mas lá havia outro monstro escondido, que logo agarrou a cabeça do Albert e o levantou como se ele fosse uma taça de vinho em um brinde, e preparou suas garras para dilacerar a barriga dele, a ação foi rápida... POW!...PUFF!  Em meio à névoa eu não sabia se tinha atirado no monstro ou no Albert, eu só sabia que alguma coisa estava se mexendo, e eu não iria esperar pra saber quem era, tratei de engatilhar a arma e preparar outro tiro, mas aí eu ouvi:
__Calma, cara, sou eu, e a coisa ta mortinha da silva.
Ficamos parados olhando a coisa de perto, era realmente surreal aquilo que estava em nossa frente, tinha pernas de boi, com cascos e tudo, um rabo de boi também, mas o corpo era humano, tinha umas unhas grandes e resistentes como se fossem garras, e o seu cabelo era comprido e tapava o rosto, só deixava à mostra sua boca, seus dentes eram desproporcionais e afiados, mal cabiam dentro da boca, mas o resto do rosto estava coberto pelo seu cabelo, então eu peguei a arma e com o cano eu afastei o cabelo dele, tomamos um susto, pois a coisa não tinha rosto, enquanto ficávamos ali, eu senti a sensação e falei pro Albert:
__Vamos, lá vem outro.
Corremos pela rua, e estávamos sendo seguidos, mas deu tempo de chegar na casa do Sr. James, que surgiu do meio da escuridão da sua porta e nos chamou, entramos e ele fechou a porta.
__O que o traz aqui, Sebastian?
__Quero respostas, Sr. James, quero explicações para tudo que está acontecendo desde que nós ficamos acordados até tarde há três dias.
Ele se acomodou na sua poltrona confortável, pegou um cigarro acendeu e se ajeitou novamente em sua poltrona, olhou pra nós, e começou:
__O que está acontecendo com vocês não começou essa semana, na verdade isso já vem acontecendo há décadas, e eu vou lhes contar como começou.
__quer dizer que a cidade sempre foi assim?
__Exatamente, começou a muitos e muitos anos atrás...
’’Antes de aqui se tornar uma cidade, existia somente um presídio de segurança máxima, para onde só iam os presos mais perigosos, e os que eram condenados a perpétua, porém existia um sistema opressor em que os policiais amarravam os presos e os enterravam vivos em um terreno baldio, todos os dias chegavam novos presos, e todos os dias eles enterravam mais um, foi assim durante seis anos, até que houve uma rebelião, os presos reivindicavam o direito de ter visitas da família, mas eles negaram esse direito, e naquela noite, enquanto os presos dormiam, os policiais e carcereiros saíram do presídio, e colocaram fogo em todas as celas. Todos os presos morreram queimados, gritando de dor e agonia, quando o governo procurou saber o que havia acontecido, os guardas disseram que foram os presos que puseram fogo nas celas, e que eles tinham escapado por pouco. Não havendo mais o que fazer, o governador mandou derrubar as ruínas do presídio e jogar todos os destroços no terreno baldio adiante, com o volume do entulho se formou um pequeno morro, onde, anos depois nasceu vegetação e tudo, escondendo ali qualquer evidência do que tinha acontecido, e colocou as terras à venda. Logo apareceu um rico fazendeiro e se interessou pelas terras, após comprá-las, ele perguntou qual era o nome do local, os guardas inventaram na hora, e disseram que se chamava VALE SILENCIOSO. Com a chegada do fazendeiro, começaram a vir mais moradores, alguns trabalhavam para o fazendeiro, e assim passou a se chamar fazenda Vale Silencioso, depois vieram mais famílias, e o lugar foi crescendo, se desenvolvendo, até que se tornou um pequeno distrito, mas os moradores logo descobriram a maldição do lugar e destruíram suas casas e fugiram, alguns quiseram ficar, já tinham feito sua vida ali e não podiam abandonar tudo para começar de novo, e foi daí em diante que surgiu a lei de não sair na rua após as dez da noite. ’’
¬¬¬¬__Mas me diga uma coisa, por que a sua casa só aparece durante a noite?
__Isso aconteceu muitos anos depois, eu estava na casa de uma namorada minha, e eu voltava de lá, eram quase onze horas, e eu vinha pela rua, não havia ninguém, só um vento frio, eu olhei pro lado e tinha um bar aberto, ‘uma forma de vida naquela noite’, eu pensei e fui tomar uma antes de dormir, entrei e cumprimentei a todos, todos, na verdade eram o dono do bar, outro cara que estava jogando baralho com ele, e um bêbado que dormia debruçado na mesa, com uma garrafa de conhaque vazia e um copo ao seu lado, eu entrei olhando o bêbado, e me dirigi até eles, pedi um uísque e fiquei saboreando enquanto observava o jogo deles, não tive noção do tempo, mas sei que eu passei muito tempo observando o jogo, até que fomos interrompidos por um urro estranho do lado de fora, o dono do bar olhou pra nós, e pegou uma espingarda velha atrás do balcão, até o bêbado acordou atordoado com o susto, eu fui na minha cintura e saquei um velho, mas funcional 38 e o cara sacou outro, em meio a esse movimento ouvimos outro urro sinistro daquele, e mais perto, o dono do bar se adiantou e foi na frente em direção à porta, nós só vimos um braço enorme puxar o cara pra fora, e ouvimos seus gritos, e o barulho de seus ossos se partindo, e depois vimos cair seu corpo, ou os pedaços do seu corpo, os outros dois tentaram sair correndo, mas foram abatidos também, eu não vacilei e meti bala, e corri o máximo que pude, mas não foi o suficiente, eu nem vi o que me atingiu, só senti aquela garra me rasgando e logo eu não vi mais nada. Mas aí quando foi depois eu acordei na minha cama e já era de noite, eu fiquei confuso, mas quando eu olhei pela janela, eu pude ver muitas daquelas criaturas passeando pela minha rua, então eu me escondi e fiquei em silêncio, quando o dia estava perto de amanhecer eu senti um sono muito forte e adormeci, quando acordei de novo já era de noite, e tem sido assim até hoje, em algumas noites eu saía e matava algumas criaturas, mas quando o dia amanhecia eu adormecia, e o resto vocês já sabem.
__Nossa!- disse o Albert- então você ficou preso na noite de Vale Silencioso, é o que pode acontecer com agente se agente morrer?
__É sim, mas não pense que é bom assim, eu vivo com medo dessas criaturas me pegarem de novo.
__Mas se você já está morto- eu disse- do que você tem medo?
__A dor, o sofrimento, a angústia e a agonia de estar sendo dilacerado por aquelas garras eram muito pra mim, imagine sentir isso e não ter o direito de morrer, se ao menos eu morresse, o sofrimento acabaria.
__Você já foi atacado novamente?
__Sim, muitas vezes, e cada vez um sofrimento diferente. Agora, que já têm as respostas que procuram, não voltem a sair de casa à noite, sigam suas vidas como seguiram até hoje, e saiam daqui assim que puderem.
__Eu tenho mais uma pergunta.
__Mas eu já lhe falei tudo que eu sei Sebastian, o que mais você quer saber?
__Como se termina com a maldição, deve ter um jeito.
__É mais fácil conviver com ela, você teria que desenterrar todos os ossos que estão aqui, e jogá-los no mar.
__Mas isso é impossível- disse o Albert- e os que foram queimados?
__Por isso que eu disse que é mais fácil conviver.
Eu fiquei chocado com tanta descoberta, o motivo de tanto terror são as almas de centenas de presos que foram enterradas vivas pessoas da pior espécie, assassinos, ladrões, estupradores, traficantes, serial killers, todos embaixo dos nossos pés, enquanto eu pensava em tudo isso, novamente veio o sono e eu acordei na cama.