domingo, 3 de março de 2013


LUTAR OU FUGIR?
Eu sabia que não podia vencer a maldição. Então pensei em conviver com ela, mas os meus amigos, não se conformaram, e resolveram acabar com todas as criaturas, e eu, claro, não iria ficar de fora dessa.
Demos um tempo nas saídas à noite, agente estudava, e tinha que cuidar pra não tirar notas ruins, mas um dia, saindo da escola, o Ulisses veio me chamar:
__Sebastian, queremos falar com você.
Eu já sabia o que era, pois depois do que passamos, eles não tinham mais outro assunto, mas mesmo assim, eu arrisquei a pergunta:
__Sobre o quê?
__Como se você não já soubesse, nós vamos caçar hoje à noite.
__Caçar o quê?
__Pára de se fazer de besta, você vem ou não?
__Não sei, eu tenho medo do que pode acontecer, eu já te falei o que aconteceu com o velho James, eu não quero ficar preso na noite de Vale Silencioso.
__É? Pois eu tenho medo de um dia uma coisa dessas entrar na minha casa.
Eu não dei resposta, mas ele já sabia que eu ia. Quando a noite chegou, eu fiquei na minha, pra minha mãe não desconfiar de nada, e quando ela dormiu, eu saí, levando a doze e muita munição. E novamente eu estava na frente da minha casa, já era natural ver aquela paisagem noturna, a névoa, os urros das criaturas ao longe, a porta da sala caída, mas aí eu me lembrei de uma coisa: de ver se minha mãe acordaria se eu fosse lá ao quarto dela, então eu entrei em casa de novo, e fui andando pela sala, até o quarto da minha mãe, e quando abri a porta tive a maior surpresa, ela não estava lá, de início eu fiquei assustado, ‘e se um monstro daqueles matou ela?’, então eu comecei a chamar por ela, mas por azar, quem me ouviu foi uma criatura que passava na rua, que respondeu com um urro, eu me virei e preparei a doze, mas a coisa veio porta adentro, e me deu um golpe que me jogou na parede do outro lado do quarto, e eu caí, longe da arma, ‘e agora? É o meu fim’, eu pensei, enquanto via apenas a silhueta do monstro se aproximando, já que a luz do quarto estava apagada, mas eu sabia que era aquele com pernas de boi, e ele ia me matar se eu não fizesse alguma coisa.
Ele ainda se aproximava quando eu resolvi passar por baixo da cama, ele estava do outro lado, e teria que passar por cima para me pegar, então eu esperei ele subir, e, quando ele subiu, eu rastejei pra debaixo da cama, e saí do outro lado, a criatura era grande, mas não era muito inteligente, então eu peguei a doze e saí, mas eu não podia esperar a galera na frente de casa, porque o monstro dentro de casa era burro, mas era inteligente o suficiente pra sair de casa e me procurar, então eu desci a rua, e logo veio aquela sensação de novo, eu disse comigo mesmo:
__Merda, eu já to de saco cheio desses monstros!- e depois eu gritei!- apareçam aí, idiotas, pra eu encher a cabeça de vocês de balas!
__Calma, cara, eu sei que nós praticamente te forçamos a vir, mas não precisa ser desse jeito.
Eu me virei, era o pessoal, mas ainda sentia a sensação, então eu falei:
__Galera, tem um aqui por perto.
__É mesmo, eu to sentindo- disse o Ulisses- preparem as armas.
Ele mal terminou de falar, e uma criatura surgiu de um beco escuro, o Kelvin correu e o Ulisses ficou paralisado, só sobramos eu e o Albert, eu dei um tiro bem na cabeça, e ela caiu morta no chão, e então eu, o Albert e o Ulisses ficamos parados olhando a criatura de perto, aqueles dentes enormes, um chifre curvo, parecia um demônio desses que agente vê na televisão, tinha uma pele marrom, e exalava um odor horrível. Enquanto agente olhava aquilo, o Kelvin veio correndo e gritando:
__Galera, lá vem mais um!
Nós preparamos as armas, e, assim que o Kelvin passou por nós, agente mandou bala, mas esse era rápido, e desviou, e com um só golpe nos jogou longe, eu acho que eu voei uns dez metros, enquanto eu voava, tentava me preparar para a dor que me aguardava quando eu caísse, e logo eu vi o chão se aproximando, e eu bati com tudo no asfalto duro e frio, eu senti como se todos os órgãos tivessem saído do lugar, era uma dor aguda, que eu achava que não ia suportar, mas minha maior preocupação era com o monstro, eu tinha que me levantar e lutar, ou quem sabe fugir, eu não iria suportar outro golpe daqueles, eu tinha que fazer alguma coisa, eu nem sabia se meus amigos estavam vivos, eu só sabia que ele estava vindo até mim, e eu não tinha forças pra levantar, doía tudo por dentro, e a arma nem estava comigo, tinha caído longe também, dessa vez eu não tinha como escapar, ‘bem que podia acontecer um milagre agora’, eu pensei, mas não estava acontecendo nada, eu olhei pros outros e eles se contorciam no chão também, gemendo de dor, pelo menos estavam vivos, mas por quanto tempo? É incrível como conseguimos pensar em tanta coisa num intervalo de tempo tão curto, mas parece que quando estamos à beira da morte o tempo corre lentamente, só que não foi lento o suficiente, o monstro já estava na minha frente, eu nem quis olhar, apenas encostei a testa no chão, e me preparei pra ser morto, pensei novamente no milagre, cheguei a pedir a Deus que me salvasse aí eu ouvi um disparo: POW!... E aquela coisa caiu em cima de mim, me esmagando, mas eu pude ver o Sr. James, e falei baixo: ‘obrigado Deus’.
Ele nos ajudou a levantar, eu o apresentei ao Ulisses e ao kelvin, o Albert já o conhecia, ele perguntou:
__O que vocês acham que estão fazendo, bancando os heróis?
__Não podemos deixar essas coisas passearem pelas nossas ruas, e ficar parados.
__Eu sei disso, mas olhe pra mim, eu tinha pensado a mesma coisa que vocês, eu queria apenas ter o direito de sair à noite, e agora estou semimorto, isso é frustrante, eu não tenho descanso, fico preso em uma droga de noite infernal, cheia de criaturas das trevas loucas para me estraçalhar, acham que eu queria isso, a noite deveria ter bares abertos, garotas de fio dental dançando em cima de uma mesa, os caras colocando dinheiro no rabo delas, pessoas enchendo a cara, voltando para casa chapados altas horas da madrugada, vomitando nos muros e calçadas. Mas não, em vez disso temos um monte de monstros assassinos passeando, e agora um bando de moleques metidos a heróis, na boa, garoto, não dá pra fazer nada, não cometam o mesmo erro que eu, vocês têm escolha, podem fugir da cidade, eu que não tive tempo.
Enquanto ele falava, veio o sono novamente, e nós adormecemos, acordando já em nossas camas, mas as dores do corpo ainda estavam presentes, eu quase não consegui me levantar da cama, doía tudo, e eu tinha que ir pra escola, tinha prova de história, e eu não estudei. Chegando à escola eu encontrei os outros, o Albert falou:
__Você estudou pra prova?
__Fala sério. Enquanto era arremessado por um monstro de três metros eu revisei a matéria antes de cair no chão...
__Temos que decidir o que vamos fazer –falou o Kelvin- isso ta acabando com nossa vida social, vamos matar monstros à noite e estudar de dia? Qualé, gente? Todos nós sabemos que não dá, o velho tinha razão, olha como amanhecemos quebrados hoje, é assim que vamos amanhecer todo dia se escolhermos essa vida.
__Escutaqui, idiota... - o Ulisses tentou falar, mas eu interrompi:
__Não, ele tem razão, não podemos forçar ninguém a fazer isso, se vamos enfrentar esses monstros, tem que ser pensado antes, não podemos ir todo dia, porque vai ser muito cansativo, vamos apenas aos fins de semana, e vamos dividir a turma, em dois trios, cada um vai um fim de semana, mata o que der pra matar, e se esconde até amanhecer, assim não corremos o risco de morrer.
__Tá bom, Einstein, - disse o Albert- somos só quatro, como você vai dividir em dois trios?
__Quem disse que somos só quatro? Tem o Sr. James, aposto que ele topa nos ajudar, e vamos precisar da experiência e conhecimento dele, e tem o seu irmão, o Junin pode nos ajudar.
__Acha que eu vou arriscar a vida do meu irmão? Ou melhor, acha que ele acompanha nosso ritmo? Sebastian, ele só tem seis anos.
__Olha, o Junin pode nos ajudar carregando as munições, ele pode ir de bicicleta.
__Sei não, cara, se acontecer alguma coisa com ele, como eu vou explicar pros meus pais?
__Não vai acontecer nada, fica frio. Ah! Temos que descansar, no próximo fim de semana nós começaremos.

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