O PIOR INIMIGO
Quando deu a noite fomos
pra casa do Sr. James, mas o Junin não pôde ir, estava doente. Sr. James nos
explicou que aquele só podia ser um dos guardas que ficou preso na carceragem,
segurado pelos outros presos, com certeza ele foi direto pro inferno, isso
explicaria muita coisa, mas pra ter certeza era preciso ver o cara, e nosso
desejo foi rapidamente atendido, fomos surpreendidos por uma pancada forte na
porta, que logo foi abaixo e aquela coisa entrou, e o lugar atrás dele começou
a pegar fogo, e todos aqueles gritos e lamentações angustiantes foram demais
pra mim, eu comecei a tremer, e de repente parecia que a gente estava na
presença do próprio diabo, mas mesmo assim não nos intimidamos e metemos bala,
em vão, é claro, sei lá, mas quando ele me olhou nos olhos, eu senti uma
sensação de impotência, aí ele parou no meio da sala, o fogo se apagou e os
gritos se calaram, e ele começou a falar:
__De fato, tenho que
agradecer a vocês – sua voz era rouca, parecia um trovão – afinal, se não fosse
o esforço de vocês para matar as criaturas que me aprisionavam, eu jamais
sairia do inferno.
__Quer dizer que você é o
diabo?- perguntou o Ulisses.
__Quase, eu sou o guarda
Jones, eu fiquei preso no presídio quando houve o incêndio, e estava sendo
mantido preso no inferno pelas criaturas da noite, que são as almas dos
prisioneiros, mas depois que vocês mataram todas as criaturas não tinha mais
ninguém que me impedisse de voltar.
Não dava pra acreditar, nós
passamos tanto tempo matando as criaturas achando que iríamos ficar livres
delas, e agora estamos diante de uma entidade muito mais poderosa que aquelas
criaturas, agora tudo começava a fazer sentido pra mim, o porquê de nossos pais
saberem e não fazer nada. Nada mais importava, naquele momento nós teríamos que
salvar as nossas vidas, pois aquele cara no meio da sala só esboçava um riso do
mal, e nos olhava como se estivesse planejando as piores atrocidades contra
nós, por fim eu tive coragem e falei:
__E o que você quer?
__Eu quero me vingar por
toda a tortura que sofri no inferno, quero descontar tudo na humanidade, e não
vai ser vocês que vão me impedir.
__Nós não queremos te
impedir - eu me adiantei e falei - queremos fazer um acordo...
__Que tipo de acordo? - os
outros tentaram me impedir de falar, mas o monstro falou:
__Calem a boca!! Deixem ele
falar... Diga, que tipo de acordo você quer fazer?
__É simples, você sai
durante a noite, e se esconde durante o dia, e nós não sairemos durante a
noite, e quem sair você pode matar.
O monstro deu uma
gargalhada e disse:
__Pra que eu vou fazer um
acordo com vocês, se eu posso simplesmente dominar tudo isso aqui? Acham que eu
sou idiota?
Eu não tinha o que dizer,
ele tava certo, a gente não tinha poder suficiente pra impedi-lo, então ele nos
olhou, e novamente veio aquela sensação de medo, era intenso demais, começamos
a tremer de medo, e ele nos olhava com aqueles olhos diabólicos, dava pra saber
o que ele estava pensando, ele iria fazer todo o tipo de tortura conosco, ele
queria nos causar todo o tipo de sofrimento e dor, e seu riso maléfico enchia
aquela casa de medo, juntamente com nosso silêncio, estávamos apavorados, mas
alguém tinha que fazer alguma coisa, então, no meio do pânico, eu saquei a doze
e mandei uma bala bem no meio da testa dele... POW! Eu esperava a fumaça
abaixar, quando sua mão veio com tudo e agarrou a cabeça do Sr. James, e com a
outra mão ele segurou o corpo, e começou a puxar a cabeça do Sr. James, ele
gritava de dor, seus gritos foram nos apavorando, até que ele não gritou mais,
e o monstro arrancou-lhe a cabeça, aí o Albert falou:
__Mas ele já estava morto,
isso não vai adiantar- o monstro olhou pra ele e disse:
__Engano seu, garoto, se eu
arrancar a cabeça vocês morrerão e não voltarão mais.
Dito isso ele partiu pra
cima do Albert, e o derrubou no chão, pisou na sua cabeça e o puxou pelas
pernas, em seguida foi o Ulisses, aí eu peguei o braço do Kelvin e o puxei pra
fora de casa, corremos muito pela rua e o kelvin perguntou:
__Mas como vamos fugir dele
se ele não é como os outros?
__Não sei Kelvin, mas precisamos
tentar fugir da cidade – eu corri até a minha casa e peguei o carro da minha
mãe, era um Astra preto, e estava com o tanque cheio, enquanto isso o monstro
já estava quase na frente de minha casa, eu dei ré, e parei no meio da rua, de
frente para o monstro, eu olhei bem pra ele, e ele parou por um segundo e ficou
me olhando, a gente teria que passar por ele pra sair da cidade, então eu não
pensei duas vezes, 1ª, e fui com tudo, quando ele viu que eu iria acertá-lo,
ele desviou e passou a nos perseguir, 2ª e eu já estava quase saindo da cidade,
era uma reta de uns 10 km, e eu iria dar tudo que o carro tinha, 3ª e eu olhei
pra trás, e o monstro estava a uns 15 metros da gente, ele era muito rápido pro
tamanho dele, 4ª e eu já estava a mais de 100 km/h, o Kelvin me olhava com
medo, ele não sabia se tinha medo do monstro ou de estarmos correndo tanto, mas
eu era um bom motorista, 5ª marcha e estávamos a 195 km/h, eu pisei tudo no
acelerador, e ouvi o Kelvin dizer:
__Ele ta ficando pra trás -
mas a expressão do Kelvin era de medo ainda, e preocupação.
__Relaxa, Kelvin, eu sou
bom piloto
__Eu não to preocupado com
isso, nossos amigos foram mortos por aquela coisa, e, provavelmente nossas
famílias vão ser mortas também
__Calma, eu vou conseguir
ajuda e nós vamos voltar lá
__Que tipo de ajuda? O
exorcista? Nem as forças armadas, nem o BOPE, podem com aquilo.
__E o que você quer que eu
faça?
__Não sei...
__Olha, vamos fugir, sei
que é triste o que houve, mas não tem outro jeito, a essa altura ele já matou
todo mundo mesmo, não há mais o que fazer. Vamos salvar nossas vidas.
Ele concordou, afinal se a gente
voltasse seria morto, então seguimos para longe daquele lugar infernal, e
deixamos aquele demônio reinar lá, e seguimos nossas vidas como se a gente
nunca tivesse estado em Vale Silencioso, mas o que nós não sabíamos, é que
aquela cidade ainda ia dar muito que falar e que muita gente ainda ia morrer
ali...
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