sexta-feira, 29 de março de 2013

(Cinco anos depois...) 

Existem viagens que a gente não quer fazer, sabe, bate aquela sensação de que não é uma boa idéia, de que é melhor ficar em casa, bom, amigos são amigos, e recusar um pedido de amigo é chato, então nós fazemos coisas que, às vezes não queremos, só pra agradá-los. Foi o que aconteceu com MARK DUTRA, seu amigo Carlo tinha recebido uma ligação de um tio, que seu avô tinha morrido, e que ele herdara uma das fazendas que o velho tinha só que ele teria que ir à cidade pra assinar os documentos e passar tudo pro nome dele, e, como não gostava de viajar sozinho chamou seus amigos Mark, Susan, Adam e Hellen, e pegou o eco Sport vermelho que ele ganhara de seu pai e foi...
“Deixa comigo daqui pra frente, seu locutor” é narrador! “que seja eu assumo daqui em diante... Bom, galera, meu nome é MARK DUTRA e o que eu vou lhes contar aconteceu comigo há certo tempo, mas vamos recordar”...
A HERANÇA DO CARLO
Eu estava meio desanimado com aquela viagem, confesso, mas fazer o que? Era o Carlo, meu melhor amigo que nunca me negou nenhum favor, eu não poderia fazer isso com ele, e, além disso, fazia tempos que eu não viajava, era só trabalho, trabalho e trabalho, eu estava de férias há uma semana e não tinha ido a lugar nenhum, a não ser o super mercado e a padaria da esquina.
Aquele dia começou normalmente, eu acordei às 10 da manhã, escovei os dentes e tomei café, e fiquei assistindo um programa infantil, mas algo estava diferente era como se alguma coisa fosse acontecer, sabe tipo aquela sensação que vem antes de uma tempestade. Eu me lembro que minha mãe estava limpando a casa e passando em frente à TV o tempo todo, e eu levantei e saí resmungando:
__Essa velha chata resolve limpar a casa justamente quando eu to vendo TV...
__Me respeite, viu? Só porque você tem 20 anos não significa que eu não te dê uns cascudos, e, além disso, desde quando você gosta de desenho animado?
Na verdade ela estava certa, eu só falei aquilo pra implicar com ela, eu fui até a cozinha e ela me acompanhou falando:
__Você não falou que ia viajar com o Carlo?
__É hoje, vamos sair às 17 horas, ele disse que o tráfego é menor à noite.
__Eu não gosto da idéia de vocês saírem assim de noite pra um lugar tão longe, espero que ele dirija direito e não corra...
__Relaxa, mãe, a gente é doido, mas tem juízo, e por falar nele, eu to indo lá pra ver como ele está.
Eu saí, a casa dele não era muito longe, ficava a seis quarteirões da minha, mas era na mesma avenida. Estava quente, mas eu sentia um arrepio na espinha, era como se alguma coisa estivesse me avisando pra não ir nessa viagem, mas eu nunca liguei pra essa coisa de superstição, então eu não estava nem aí. Chegando perto da casa do Carlo eu ouvi uma voz suave e doce como mel, e conhecida, era a Susan, e seus cabelos castanhos seu olhos grandes cor de mel, sua pele morena, ela era modelo lá na cidade, estava acompanhada dos outros tripulantes da nossa viagem, o Adam, lutador de vale tudo, 1,90 de altura, 95 kg, era um monstro, eu ficava feliz por ser amigo dele, e não inimigo, apesar da aparência assustadora, ele tinha um coração muito bom, e só se via bater em alguém em lutas e campeonatos, sua namorada era a Hellen, loira, magra era modelo também da mesma agência que a Susan.
Seguimos para a casa do Carlo, ele já nos esperava na cadeira de balanço na varanda, e nos recebeu com um sorriso:
__Fala galera! Estão animados pra viagem?
__É pode ser- eu disse - não estou com muita vontade de ir...
__Nem vem Mark, vocês são meus melhores amigos, sempre estiveram presente nos acontecimentos importantes de minha vida...
__Ah! Ta!- disse a Susan- como o quê, sua primeira transa? Sua primeira vitória no need for speed?
__Enfim- Carlo concluiu se corrigindo- eu estou dizendo que vocês são as pessoas mais importantes pra mim. E eu nunca venci no need for speed.
__É isso que me deixa com medo de viajar com você, - eu disse- se você não consegue controlar um carro no jogo como vai dirigir um de verdade?
__Não enche, Mark, vocês vão e pronto! Não quero saber de desculpas, e, além disso, se vocês não for eu não deixo vocês participarem da festa que eu vou dar na fazenda.
__Não, a gente vai, a gente vai, não se preocupe.
__É, adoramos viajar com você.
O Carlo era um mauricinho que tinha uma vida boa, mas não andávamos com ele porque ele tinha dinheiro, era porque nós éramos amigos de infância, eu, ele o Adam e a Susan sempre estudamos juntos, e Hellen veio depois e se agregou ao grupo, logo começou a namorar com o Adam. A gente sempre ia pras baladas juntos, às vezes eu me perguntava por que eu andava com eles? O Carlo era o cheio da grana, o Adam era o fortão, a Susan e a Hellen eram modelos, e eu? Mas eles sempre me diziam que eu era o cara simpático que fazia todo mundo rir, eu não sei se isso me ajudava me sentir melhor ou pior, mas se eles gostavam de andar comigo, não era por piedade.
A hora da viagem se aproximava, e eu voltei pra casa pra me preparar, em dez minutos eu ouvi:
__BIP! BIIP!
Vamos logo, Mark!
Eu me despedi da minha mãe, e do meu pai que acabava de chegar do trabalho e fui.
__E aí, galera? Nossa! Susan, você ta um tezão, desse jeito vai levantar até o avô do Carlo.
__Não enche o saco, Mark, e você?
__O que tem eu?
__Isso é roupa pra um enterro? Bermuda e camiseta.
__Relaxa, lá eu me troco e coloco um terno preto.
Seguimos viagem, cantando, rindo e falando putaria, o Carlo tinha ido lá quando tinha dez anos, então, depois de 11 anos, muita coisa tinha mudado, mas ele afirmou que se lembrava do caminho.
__É, galera, não tem erro, a gente passa por um vilarejozinho chamado Vale Silencioso e 20 km depois é a fazenda, não tem erro, o que pode dar errado?
Talvez tenhamos falado cedo demais...

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