Existem viagens que a gente não
quer fazer, sabe, bate aquela sensação de que não é uma boa idéia, de que é
melhor ficar em casa, bom, amigos são amigos, e recusar um pedido de amigo é
chato, então nós fazemos coisas que, às vezes não queremos, só pra agradá-los.
Foi o que aconteceu com MARK DUTRA, seu amigo Carlo tinha recebido uma ligação
de um tio, que seu avô tinha morrido, e que ele herdara uma das fazendas que o
velho tinha só que ele teria que ir à cidade pra assinar os documentos e passar
tudo pro nome dele, e, como não gostava de viajar sozinho chamou seus amigos
Mark, Susan, Adam e Hellen, e pegou o eco Sport vermelho que ele ganhara de seu
pai e foi...
“Deixa comigo daqui pra frente,
seu locutor” é narrador! “que seja eu assumo daqui em diante... Bom, galera,
meu nome é MARK DUTRA e o que eu vou lhes contar aconteceu comigo há certo
tempo, mas vamos recordar”...
A
HERANÇA DO CARLO
Eu estava meio desanimado com
aquela viagem, confesso, mas fazer o que? Era o Carlo, meu melhor amigo que
nunca me negou nenhum favor, eu não poderia fazer isso com ele, e, além disso,
fazia tempos que eu não viajava, era só trabalho, trabalho e trabalho, eu
estava de férias há uma semana e não tinha ido a lugar nenhum, a não ser o
super mercado e a padaria da esquina.
Aquele dia começou normalmente,
eu acordei às 10 da manhã, escovei os dentes e tomei café, e fiquei assistindo
um programa infantil, mas algo estava diferente era como se alguma coisa fosse
acontecer, sabe tipo aquela sensação que vem antes de uma tempestade. Eu me
lembro que minha mãe estava limpando a casa e passando em frente à TV o tempo
todo, e eu levantei e saí resmungando:
__Essa velha chata resolve limpar
a casa justamente quando eu to vendo TV...
__Me respeite, viu? Só porque você
tem 20 anos não significa que eu não te dê uns cascudos, e, além disso, desde
quando você gosta de desenho animado?
Na verdade ela estava certa, eu
só falei aquilo pra implicar com ela, eu fui até a cozinha e ela me acompanhou
falando:
__Você não falou que ia viajar
com o Carlo?
__É hoje, vamos sair às 17 horas,
ele disse que o tráfego é menor à noite.
__Eu não gosto da idéia de vocês
saírem assim de noite pra um lugar tão longe, espero que ele dirija direito e
não corra...
__Relaxa, mãe, a gente é doido,
mas tem juízo, e por falar nele, eu to indo lá pra ver como ele está.
Eu saí, a casa dele não era muito
longe, ficava a seis quarteirões da minha, mas era na mesma avenida. Estava
quente, mas eu sentia um arrepio na espinha, era como se alguma coisa estivesse
me avisando pra não ir nessa viagem, mas eu nunca liguei pra essa coisa de
superstição, então eu não estava nem aí. Chegando perto da casa do Carlo eu
ouvi uma voz suave e doce como mel, e conhecida, era a Susan, e seus cabelos
castanhos seu olhos grandes cor de mel, sua pele morena, ela era modelo lá na
cidade, estava acompanhada dos outros tripulantes da nossa viagem, o Adam,
lutador de vale tudo, 1,90 de altura, 95 kg, era um monstro, eu ficava feliz
por ser amigo dele, e não inimigo, apesar da aparência assustadora, ele tinha
um coração muito bom, e só se via bater em alguém em lutas e campeonatos, sua
namorada era a Hellen, loira, magra era modelo também da mesma agência que a
Susan.
Seguimos para a casa do Carlo,
ele já nos esperava na cadeira de balanço na varanda, e nos recebeu com um
sorriso:
__Fala galera! Estão animados pra
viagem?
__É pode ser- eu disse - não
estou com muita vontade de ir...
__Nem vem Mark, vocês são meus
melhores amigos, sempre estiveram presente nos acontecimentos importantes de
minha vida...
__Ah! Ta!- disse a Susan- como o
quê, sua primeira transa? Sua primeira vitória no need for speed?
__Enfim- Carlo concluiu se
corrigindo- eu estou dizendo que vocês são as pessoas mais importantes pra mim.
E eu nunca venci no need for speed.
__É isso que me deixa com medo de
viajar com você, - eu disse- se você não consegue controlar um carro no jogo
como vai dirigir um de verdade?
__Não enche, Mark, vocês vão e
pronto! Não quero saber de desculpas, e, além disso, se vocês não for eu não
deixo vocês participarem da festa que eu vou dar na fazenda.
__Não, a gente vai, a gente vai,
não se preocupe.
__É, adoramos viajar com você.
O Carlo era um mauricinho que
tinha uma vida boa, mas não andávamos com ele porque ele tinha dinheiro, era
porque nós éramos amigos de infância, eu, ele o Adam e a Susan sempre estudamos
juntos, e Hellen veio depois e se agregou ao grupo, logo começou a namorar com
o Adam. A gente sempre ia pras baladas juntos, às vezes eu me perguntava por
que eu andava com eles? O Carlo era o cheio da grana, o Adam era o fortão, a
Susan e a Hellen eram modelos, e eu? Mas eles sempre me diziam que eu era o
cara simpático que fazia todo mundo rir, eu não sei se isso me ajudava me
sentir melhor ou pior, mas se eles gostavam de andar comigo, não era por
piedade.
A hora da viagem se aproximava, e
eu voltei pra casa pra me preparar, em dez minutos eu ouvi:
__BIP! BIIP!
Vamos logo, Mark!
Eu me despedi da minha mãe, e do
meu pai que acabava de chegar do trabalho e fui.
__E aí, galera? Nossa! Susan,
você ta um tezão, desse jeito vai levantar até o avô do Carlo.
__Não enche o saco, Mark, e você?
__O que tem eu?
__Isso é roupa pra um enterro?
Bermuda e camiseta.
__Relaxa, lá eu me troco e coloco
um terno preto.
Seguimos viagem, cantando, rindo
e falando putaria, o Carlo tinha ido lá quando tinha dez anos, então, depois de
11 anos, muita coisa tinha mudado, mas ele afirmou que se lembrava do caminho.
__É, galera, não tem erro, a
gente passa por um vilarejozinho chamado Vale Silencioso e 20 km depois é a
fazenda, não tem erro, o que pode dar errado?
Talvez tenhamos falado cedo
demais...
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