A ÚLTIMA CAÇADA
Passamos ainda muito tempo
caçando, houveram vezes em que tivemos que fugir de alguma criatura, outras a gente
perseguiu, mas sempre matávamos duas ou três por noite, decidimos então agir
todos juntos, já que não tinha muito mais o que fazer, e ficamos caçando por um
bom tempo.
Um dia nós saímos e eu
observava a rua, havia corpos daquelas criaturas espalhados por todos os
lugares, alguns já apodrecendo, o Albert olhou pra mim e falou:
__Dever cumprido,
Sebastian, não tem mais nenhuma criatura em nossas ruas.
__Será mesmo? Eu ainda
tenho a impressão de que falta alguma coisa...
__Mas do que você está
falando?- disse o Ulisses- ninguém ta sentindo mais aquela sensação estranha,
eu não to ouvindo nenhum berro mais, acabou.
__É, Sebastian, - disse o
Kelvin- eu sei que depois de tudo que passamos dá mesmo essa sensação de que
ainda estamos correndo perigo, mas não estamos.
Eu acabei me conformando,
mas ainda tinha o pressentimento de que alguma coisa ainda ia acontecer, mas
por via das dúvidas, fomos vasculhar a cidade, nós estávamos parecendo os caça
fantasmas, armados até os dentes, e sem medo de nada, a maioria das pessoas no
mundo não tinha idéia dos perigos que enfrentávamos, os nossos pais escondiam a
verdade de nós, porque achavam que estaríamos mais seguros, mas só estivemos
realmente seguros daquela noite em diante, ou não...
De repente, saltou do meio
da escuridão uma criatura, e ela parecia bem assustada, ao invés de nos atacar
ele fugiu, e a gente correu atrás, cada um com uma arma, e mandando bala. A
criatura se escondia em um lugar, mas nós achávamos, ela fugia, mas a gente
acompanhava, até que ela entrou num beco sem saída, e a cercamos, eu estava com
minha boa e velha calibre doze, o Kelvin com um rifle, o Albert com outra doze,
o James com outra, e o resto do pessoal com revolveres e pistolas. Mandamos
bala no monstro como se fosse um condenado no paredão da morte, e ele foi
caindo devagar, até que tombou de vez no chão.
De repente sentimos uma
sensação de medo como a que sentíamos quando tinha um monstro por perto, mas
essa era mais intensa era perturbadora, eu nunca tinha sentido tanto medo até
aquele momento, e a gente ficou sem saber o que estava acontecendo, o medo era
tão grande, que ninguém teve atitude de preparar as armas. Eu observei direito,
estávamos tremendo de medo, mas antes que alguma coisa acontecesse, ainda
pudemos ver o sol brilhar por tas das montanhas, o Albert ainda falou:
__Quebramos a maldição,
galer... – ele não terminou, porque todos nós adormecemos naquela hora, e
acordamos nas nossas camas.
Aquilo foi estranho, mas eu
não queria que continuasse, então fingi que estava tudo bem, mas eu sabia que
não estava depois daquela sensação estranha. E ficamos muito tempo sem sair à
noite, parecia que estava tudo acabado, exceto pelo fato da noite ainda estar
se transformando, foram meses de caçadas, todo sábado à noite, a gente não
agüentava mais aquela vida. Eu voltei a dormir cedo, e tudo estava bem, até que
um dia o Junin chegou à minha casa de manhã.
__Sebastian, o Albert disse
pra você ir lá, que ele quer te falar uma coisa, e é importante.
__Espere, que eu vou com
você.
Ao chegar, o Albert estava
com uma cara de preocupação, e o Ulisses e o Kelvin estavam lá com ele, eu, já
imaginando o que era, arrisquei a pergunta:
__O que foi?
__Você tinha razão, ainda
tem alguma coisa viva, nós deixamos uma coisa viva, e essa é diferente – ele falava
andando de um lado a outro, preocupado – na noite passada, ele invadiu nossa
casa e estraçalhou o nosso cachorro, e hoje de manhã o cachorro amanheceu morto
e estraçalhado.
__Mas como assim? – eu disse
– o que acontece na noite fica na noite.
__Parece que esse cara de
agora não sabe dessa regra, ou não quer seguir.
__E o que vamos fazer?
__Não sei, eu atirei na
cabeça dele, mas ele não morreu. Sebastian você tem noção disso? Eu
descarreguei um pente de 380 na cabeça dele, e não errei nenhum tiro, foram
todas as balas e não fez nem cócegas.
Eu nem sabia o que dizer,
logo agora que a gente ia ter um pouco de paz, aparece essa, eu só perguntei ao
Albert:
__E como era esse? Como era
sua aparência?
__Esse era mais humano, só
que tinha um olhar completamente demoníaco, e um sorriso de pura maldade, ele
usava um uniforme de policial, todo rasgado, ele tinha hematomas e fraturas
expostas por todo o corpo, eram ferimentos que uma pessoa normal não
suportaria, onde ele andava, o lugar pegava fogo, e não era um fogo normal, as
chamas tinham um tom de vermelho e laranja muito fortes, e de longe dava pra
sentir o calor, era assustador, em alguns momentos, eu tive a impressão de
ouvir milhares de gritos de agonia ao longe, como se viessem de trás dele, foi
terrível, eu nunca mais tinha sentido medo de uma coisa dessas, até esse
aparecer aqui.
__Temos que investigar,
vamos à casa do Sr. James hoje.
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