sexta-feira, 22 de março de 2013


A ÚLTIMA CAÇADA
Passamos ainda muito tempo caçando, houveram vezes em que tivemos que fugir de alguma criatura, outras a gente perseguiu, mas sempre matávamos duas ou três por noite, decidimos então agir todos juntos, já que não tinha muito mais o que fazer, e ficamos caçando por um bom tempo.
Um dia nós saímos e eu observava a rua, havia corpos daquelas criaturas espalhados por todos os lugares, alguns já apodrecendo, o Albert olhou pra mim e falou:
__Dever cumprido, Sebastian, não tem mais nenhuma criatura em nossas ruas.
__Será mesmo? Eu ainda tenho a impressão de que falta alguma coisa...
__Mas do que você está falando?- disse o Ulisses- ninguém ta sentindo mais aquela sensação estranha, eu não to ouvindo nenhum berro mais, acabou.
__É, Sebastian, - disse o Kelvin- eu sei que depois de tudo que passamos dá mesmo essa sensação de que ainda estamos correndo perigo, mas não estamos.
Eu acabei me conformando, mas ainda tinha o pressentimento de que alguma coisa ainda ia acontecer, mas por via das dúvidas, fomos vasculhar a cidade, nós estávamos parecendo os caça fantasmas, armados até os dentes, e sem medo de nada, a maioria das pessoas no mundo não tinha idéia dos perigos que enfrentávamos, os nossos pais escondiam a verdade de nós, porque achavam que estaríamos mais seguros, mas só estivemos realmente seguros daquela noite em diante, ou não...
De repente, saltou do meio da escuridão uma criatura, e ela parecia bem assustada, ao invés de nos atacar ele fugiu, e a gente correu atrás, cada um com uma arma, e mandando bala. A criatura se escondia em um lugar, mas nós achávamos, ela fugia, mas a gente acompanhava, até que ela entrou num beco sem saída, e a cercamos, eu estava com minha boa e velha calibre doze, o Kelvin com um rifle, o Albert com outra doze, o James com outra, e o resto do pessoal com revolveres e pistolas. Mandamos bala no monstro como se fosse um condenado no paredão da morte, e ele foi caindo devagar, até que tombou de vez no chão.
De repente sentimos uma sensação de medo como a que sentíamos quando tinha um monstro por perto, mas essa era mais intensa era perturbadora, eu nunca tinha sentido tanto medo até aquele momento, e a gente ficou sem saber o que estava acontecendo, o medo era tão grande, que ninguém teve atitude de preparar as armas. Eu observei direito, estávamos tremendo de medo, mas antes que alguma coisa acontecesse, ainda pudemos ver o sol brilhar por tas das montanhas, o Albert ainda falou:
__Quebramos a maldição, galer... – ele não terminou, porque todos nós adormecemos naquela hora, e acordamos nas nossas camas.
Aquilo foi estranho, mas eu não queria que continuasse, então fingi que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava depois daquela sensação estranha. E ficamos muito tempo sem sair à noite, parecia que estava tudo acabado, exceto pelo fato da noite ainda estar se transformando, foram meses de caçadas, todo sábado à noite, a gente não agüentava mais aquela vida. Eu voltei a dormir cedo, e tudo estava bem, até que um dia o Junin chegou à minha casa de manhã.
__Sebastian, o Albert disse pra você ir lá, que ele quer te falar uma coisa, e é importante.
__Espere, que eu vou com você.
Ao chegar, o Albert estava com uma cara de preocupação, e o Ulisses e o Kelvin estavam lá com ele, eu, já imaginando o que era, arrisquei a pergunta:
__O que foi?
__Você tinha razão, ainda tem alguma coisa viva, nós deixamos uma coisa viva, e essa é diferente – ele falava andando de um lado a outro, preocupado – na noite passada, ele invadiu nossa casa e estraçalhou o nosso cachorro, e hoje de manhã o cachorro amanheceu morto e estraçalhado.
__Mas como assim? – eu disse – o que acontece na noite fica na noite.
__Parece que esse cara de agora não sabe dessa regra, ou não quer seguir.
__E o que vamos fazer?
__Não sei, eu atirei na cabeça dele, mas ele não morreu. Sebastian você tem noção disso? Eu descarreguei um pente de 380 na cabeça dele, e não errei nenhum tiro, foram todas as balas e não fez nem cócegas.
Eu nem sabia o que dizer, logo agora que a gente ia ter um pouco de paz, aparece essa, eu só perguntei ao Albert:
__E como era esse? Como era sua aparência?
__Esse era mais humano, só que tinha um olhar completamente demoníaco, e um sorriso de pura maldade, ele usava um uniforme de policial, todo rasgado, ele tinha hematomas e fraturas expostas por todo o corpo, eram ferimentos que uma pessoa normal não suportaria, onde ele andava, o lugar pegava fogo, e não era um fogo normal, as chamas tinham um tom de vermelho e laranja muito fortes, e de longe dava pra sentir o calor, era assustador, em alguns momentos, eu tive a impressão de ouvir milhares de gritos de agonia ao longe, como se viessem de trás dele, foi terrível, eu nunca mais tinha sentido medo de uma coisa dessas, até esse aparecer aqui.
__Temos que investigar, vamos à casa do Sr. James hoje.

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