PRÓLOGO...
Minha mãe sempre me dizia
pra não ficar na rua até tarde, e eu sempre me irritava com isso, afinal, nós
morávamos num vilarejo pequeno e pacato, onde nada, absolutamente nada,
acontecia, era um lugar pequeno e todo mundo se conhecia, por isso é que eu
sempre discordava da minha mãe, quando ela me mandava entrar que já estava
tarde, eu perguntava o que havia na rua de tão perigoso, que eu tinha que
entrar? Mas eu não sabia que ela estava certa, e que logo eu iria saber o que
andava nas ruas à noite...
NOITES MACABRAS
Um dia eu tinha ido até a casa de um amigo
meu, minha mãe tinha viajado e eu estava sozinho em casa, iria passar a noite
sozinho, pois só morávamos eu e ela, logo que eu o encontrei ele já veio
gritando:
__EI, Sebastian, você ta
sozinho hoje, né?
__To, por quê?
__Eu estou com um filme de
terror muito bom, dava pra chamar o resto da galera e fazer um cineminha em sua
casa...
__IH! Sei não Ulisses, se vocês fizerem bagunça
minha mãe me pega, e só vai sobrar pra mim.
__Relaxa, a gente limpa
tudo antes dela chegar.
Eu concordei, apesar de só
ter 14 anos, eu era o homem da casa, e tinha que tomar conta na ausência da
minha mãe, mas eu sabia que poderia contar com a ajuda dos meus amigos pra
limpar tudo. A tarde foi caindo e se transformando em noite, as luzes foram se
acendendo, as pessoas foram entrando pra dentro de suas casas, e o pessoal foi
chegando à minha casa, veio o Ulisses, Kelvin, Albert e o seu irmão mais novo,
o Juninho, todos tinham dito pros pais que iriam dormir na minha casa porque eu
estava sozinho, começamos a fazer a pipoca, afinal filme sem pipoca não rola, e
logo começamos assistir os filmes, pois cada um tinha levado um. Perto da meia
noite, ouvimos um barulho na rua, era uma espécie de urro, mas não parecia de
nenhum animal conhecido, eu logo imaginei que fosse um lobo ou algo assim, que
talvez tivesse vindo da floresta que circundava nosso vilarejo, o Kelvin logo
se assustou e começou a tremer de medo, por sorte o Juninho já tinha dormido,
senão seriam dois medrosos, eu chamei o kelvin, Albert e o Ulisses pra irmos
até a porta da sala, pra ver pelo vidro o que era. Se arrependimento matasse...
Nós fomos na ponta do pé,
pra não fazer barulho, mas estava escuro, logo começamos a esbarrar nas coisas.
__Ai! Cuidado aí, kelvin,
isso é meu pé!
__Foi mal!
__Cala a boca! Olha a porta
ali.
Nós nos aproximamos da
porta, mas pelo barulho a coisa ainda vinha a certa distância, então ficamos
esperando. Era a primeira vez que eu via a cara da rua naquele horário, na
verdade era a primeira vez que eu ficava acordado depois das dez, quando eu não
estava com sono minha mãe me enchia de calmantes e suco de maracujá, pra eu
poder dormir, nenhuma pessoa saía de casa depois das dez, era como o toque de
recolher. Enquanto eu ficava olhando a rua e pensando em tudo isso, a coisa se
aproximava dava até pra ouvir os passos, que eram poucos pra ser um quadrúpede.
Era. Não podia ser, mas era um bípede, e já pudemos vê-lo, era horrível, uma
criatura quase humana, mas tinha um rabo, e umas coisas pontudas que saíam de
sua cabeça, pareciam chifres, mas ficavam balançando, era a coisa mais horrível
que eu já tinha visto em toda a minha vida, e aquilo passeava em nossa rua, o
Kelvin quis gritar, mas o Albert colocou a mão na boca dele e disse
sussurrando:
__Você quer que aquilo
saiba que nós estamos aqui?
__Tarde demais galera, ele
já descobriu...
Quando eu olhei pra rua de
novo, me deparei com a cara daquela coisa colada no vidro da porta, com aqueles
olhos enormes e aquela boca vermelha e com aqueles dentes grandes saindo pra
fora da boca, era de longe a coisa mais horrível que eu já tinha visto em toda
a minha vida, e olha que eu já assisti os piores filmes de terror, mas aquilo
era pior, pois eu sabia que estava ali, e que a única coisa que o separava de
nós era um simples e frágil pedaço de vidro, que ficava todo embaçado por causa
da respiração do monstro. Eu não tive reação na hora, fiquei paralisado de
medo, os outros que me puxaram, e corremos para o quarto, onde estava o
Juninho, chegamos lá ofegantes e acordamos ele, que perguntou:
__O que foi? Por que vocês
estão assim?
__Fica quieto! Aquela coisa
pode nos ouvir aqui.
__Que coisa?
__É melhor você nem saber,
Junin.
Ficamos calados no quarto,
eu esperava que aquela coisa fosse embora, mas em vez disso ouvi um barulho, e
o medo começou a tomar conta de mim, e era um medo como eu nunca havia sentido,
parecia que a simples presença daquela coisa trazia uma atmosfera de puro medo
e desespero, e essa sensação não estava somente em mim, dava pra ver na cara
dos outros, o Albert disse apavorado:
__Ele entrou em casa,
Sebastian, ele entrou!
__Quem entrou?- disse Junin
__Rápido, tranque a porta!
Trancamos a porta, mas
pudemos ouvir os passos dele vindo em direção à gente, e logo estava na frente
do quarto, mas aí ficou tudo quieto, pensamos que ele tinha ido embora, então o
Kelvin falou:
__Foi embora? Abre a porta
aí pra ver...
__Não!- eu disse- olha pelo
buraco da fechadura.
__Eu olho - disse o Junin-
AAAHHHH! Meu Deus! O que é isto?!
Ele caiu pra trás
horrorizado, e começou a chorar o Albert o puxou pra trás e se abraçou com ele,
e nós recuamos pra longe da porta, então, a criatura soltou outro berro que
provavelmente tinha acordado toda a vizinhança, eu pensei ‘’pelo menos agora
vamos ter ajuda dos vizinhos’’, mas não apareceu ninguém, então eu falei baixo
pra eles:
__Olha pessoal, vamos abrir
a janela do meu quarto, que dá na rua, e vamos fugir.
__Nem pensar! Eu não saio
daqui- disse o Ulisses.
__Então você fica e espera
o capeta aí fora entrar.
Ele viu que eu tinha razão,
então concordou e eu afastei as cortinas e abri a janela, e começamos a sair um
a um, primeiro foi o Albert, depois o seu irmão, o Junin, depois o Kelvin, aí o
monstro começou a forçar a porta, e eu sabia que a porta não agüentaria muito
tempo, e dei pressa pra saírem, o Ulisses estava quase saindo quando a porta se
arrebentou a aquela coisa veio com tudo, era o meu fim, mas deu tempo o Ulisses
sair, e eu me atirei com tudo pra fora, como se estivesse mergulhando numa
piscina, então começamos a correr rua a fora e aquela coisa urrou novamente,
mas nós nem olhamos pra trás, aquela sensação de medo e angústia de antes tinha
passado, e nós paramos um pouco pra descansar, e recuperar do susto.
Foi quando eu notei um
certo nevoeiro diferente na rua, e até as casas estavam diferentes , estavam
com aspecto de velhas, as árvores estavam mortas, nem de longe aquilo parecia o
nosso vilarejo, então novamente veio aquele arrepio na espinha, e aquele medo
incomum, e logo virou na esquina um vulto, o Ulisses falou :
__Olhem tem alguém ali
vamos contar o que houve talvez ele possa nos ajudar- e saiu correndo em
direção ao vulto e gritando, com a descrição que ele nunca teve- ei! Senhor
espere aí... AAAAAAHHH!!!!-ele voltou correndo e gritando:
__Corram! Corram! É outra
merda daquela!
E novamente estávamos nós
correndo, porém aquela névoa era muito densa, e a gente se cansava logo, e com
aquela coisa nos perseguindo, não podíamos parar pra descansar, mas o Junin era
menor, ele só tinha seis anos, e logo foi ficando para trás.
__Me esperem!
__Anda logo, Junin, vem,
corre!
__Vamos Albert! Quer que
aquilo te coma vivo? Ou faça o que quer que ele queira fazer?
__O Junin não consegue
acompanhar a gente.
__Olha pessoal, a porta da
locadora esta aberta, vamos pra lá.
Ufa, entramos na locadora e
despistamos o monstro, e podíamos descansar, aí de repente bateu aquele cansaço
e aquele sono, e nós praticamente desmaiamos.

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