domingo, 3 de março de 2013


PRÓLOGO...

Minha mãe sempre me dizia pra não ficar na rua até tarde, e eu sempre me irritava com isso, afinal, nós morávamos num vilarejo pequeno e pacato, onde nada, absolutamente nada, acontecia, era um lugar pequeno e todo mundo se conhecia, por isso é que eu sempre discordava da minha mãe, quando ela me mandava entrar que já estava tarde, eu perguntava o que havia na rua de tão perigoso, que eu tinha que entrar? Mas eu não sabia que ela estava certa, e que logo eu iria saber o que andava nas ruas à noite...
NOITES MACABRAS
 Um dia eu tinha ido até a casa de um amigo meu, minha mãe tinha viajado e eu estava sozinho em casa, iria passar a noite sozinho, pois só morávamos eu e ela, logo que eu o encontrei ele já veio gritando:
__EI, Sebastian, você ta sozinho hoje, né?
__To, por quê?
__Eu estou com um filme de terror muito bom, dava pra chamar o resto da galera e fazer um cineminha em sua casa...
__IH!  Sei não Ulisses, se vocês fizerem bagunça minha mãe me pega, e só vai sobrar pra mim.
__Relaxa, a gente limpa tudo antes dela chegar.
Eu concordei, apesar de só ter 14 anos, eu era o homem da casa, e tinha que tomar conta na ausência da minha mãe, mas eu sabia que poderia contar com a ajuda dos meus amigos pra limpar tudo. A tarde foi caindo e se transformando em noite, as luzes foram se acendendo, as pessoas foram entrando pra dentro de suas casas, e o pessoal foi chegando à minha casa, veio o Ulisses, Kelvin, Albert e o seu irmão mais novo, o Juninho, todos tinham dito pros pais que iriam dormir na minha casa porque eu estava sozinho, começamos a fazer a pipoca, afinal filme sem pipoca não rola, e logo começamos assistir os filmes, pois cada um tinha levado um. Perto da meia noite, ouvimos um barulho na rua, era uma espécie de urro, mas não parecia de nenhum animal conhecido, eu logo imaginei que fosse um lobo ou algo assim, que talvez tivesse vindo da floresta que circundava nosso vilarejo, o Kelvin logo se assustou e começou a tremer de medo, por sorte o Juninho já tinha dormido, senão seriam dois medrosos, eu chamei o kelvin, Albert e o Ulisses pra irmos até a porta da sala, pra ver pelo vidro o que era. Se arrependimento matasse...
Nós fomos na ponta do pé, pra não fazer barulho, mas estava escuro, logo começamos a esbarrar nas coisas.
__Ai! Cuidado aí, kelvin, isso é meu pé!
__Foi mal!
__Cala a boca! Olha a porta ali.
Nós nos aproximamos da porta, mas pelo barulho a coisa ainda vinha a certa distância, então ficamos esperando. Era a primeira vez que eu via a cara da rua naquele horário, na verdade era a primeira vez que eu ficava acordado depois das dez, quando eu não estava com sono minha mãe me enchia de calmantes e suco de maracujá, pra eu poder dormir, nenhuma pessoa saía de casa depois das dez, era como o toque de recolher. Enquanto eu ficava olhando a rua e pensando em tudo isso, a coisa se aproximava dava até pra ouvir os passos, que eram poucos pra ser um quadrúpede. Era. Não podia ser, mas era um bípede, e já pudemos vê-lo, era horrível, uma criatura quase humana, mas tinha um rabo, e umas coisas pontudas que saíam de sua cabeça, pareciam chifres, mas ficavam balançando, era a coisa mais horrível que eu já tinha visto em toda a minha vida, e aquilo passeava em nossa rua, o Kelvin quis gritar, mas o Albert colocou a mão na boca dele e disse sussurrando:
__Você quer que aquilo saiba que nós estamos aqui?
__Tarde demais galera, ele já descobriu...
Quando eu olhei pra rua de novo, me deparei com a cara daquela coisa colada no vidro da porta, com aqueles olhos enormes e aquela boca vermelha e com aqueles dentes grandes saindo pra fora da boca, era de longe a coisa mais horrível que eu já tinha visto em toda a minha vida, e olha que eu já assisti os piores filmes de terror, mas aquilo era pior, pois eu sabia que estava ali, e que a única coisa que o separava de nós era um simples e frágil pedaço de vidro, que ficava todo embaçado por causa da respiração do monstro. Eu não tive reação na hora, fiquei paralisado de medo, os outros que me puxaram, e corremos para o quarto, onde estava o Juninho, chegamos lá ofegantes e acordamos ele, que perguntou:
__O que foi? Por que vocês estão assim?
__Fica quieto! Aquela coisa pode nos ouvir aqui.
__Que coisa?
__É melhor você nem saber, Junin.
Ficamos calados no quarto, eu esperava que aquela coisa fosse embora, mas em vez disso ouvi um barulho, e o medo começou a tomar conta de mim, e era um medo como eu nunca havia sentido, parecia que a simples presença daquela coisa trazia uma atmosfera de puro medo e desespero, e essa sensação não estava somente em mim, dava pra ver na cara dos outros, o Albert disse apavorado:
__Ele entrou em casa, Sebastian, ele entrou!
__Quem entrou?- disse Junin
__Rápido, tranque a porta!
Trancamos a porta, mas pudemos ouvir os passos dele vindo em direção à gente, e logo estava na frente do quarto, mas aí ficou tudo quieto, pensamos que ele tinha ido embora, então o Kelvin falou:
__Foi embora? Abre a porta aí pra ver...
__Não!- eu disse- olha pelo buraco da fechadura.
__Eu olho - disse o Junin- AAAHHHH! Meu Deus! O que é isto?!
Ele caiu pra trás horrorizado, e começou a chorar o Albert o puxou pra trás e se abraçou com ele, e nós recuamos pra longe da porta, então, a criatura soltou outro berro que provavelmente tinha acordado toda a vizinhança, eu pensei ‘’pelo menos agora vamos ter ajuda dos vizinhos’’, mas não apareceu ninguém, então eu falei baixo pra eles:
__Olha pessoal, vamos abrir a janela do meu quarto, que dá na rua, e vamos fugir.
__Nem pensar! Eu não saio daqui- disse o Ulisses.
__Então você fica e espera o capeta aí fora entrar.
Ele viu que eu tinha razão, então concordou e eu afastei as cortinas e abri a janela, e começamos a sair um a um, primeiro foi o Albert, depois o seu irmão, o Junin, depois o Kelvin, aí o monstro começou a forçar a porta, e eu sabia que a porta não agüentaria muito tempo, e dei pressa pra saírem, o Ulisses estava quase saindo quando a porta se arrebentou a aquela coisa veio com tudo, era o meu fim, mas deu tempo o Ulisses sair, e eu me atirei com tudo pra fora, como se estivesse mergulhando numa piscina, então começamos a correr rua a fora e aquela coisa urrou novamente, mas nós nem olhamos pra trás, aquela sensação de medo e angústia de antes tinha passado, e nós paramos um pouco pra descansar, e recuperar do susto.
Foi quando eu notei um certo nevoeiro diferente na rua, e até as casas estavam diferentes , estavam com aspecto de velhas, as árvores estavam mortas, nem de longe aquilo parecia o nosso vilarejo, então novamente veio aquele arrepio na espinha, e aquele medo incomum, e logo virou na esquina um vulto, o Ulisses falou :
__Olhem tem alguém ali vamos contar o que houve talvez ele possa nos ajudar- e saiu correndo em direção ao vulto e gritando, com a descrição que ele nunca teve- ei! Senhor espere aí... AAAAAAHHH!!!!-ele voltou correndo e gritando:
__Corram! Corram! É outra merda daquela!
E novamente estávamos nós correndo, porém aquela névoa era muito densa, e a gente se cansava logo, e com aquela coisa nos perseguindo, não podíamos parar pra descansar, mas o Junin era menor, ele só tinha seis anos, e logo foi ficando para trás.
__Me esperem!
__Anda logo, Junin, vem, corre!
__Vamos Albert! Quer que aquilo te coma vivo? Ou faça o que quer que ele queira fazer?
__O Junin não consegue acompanhar a gente.
__Olha pessoal, a porta da locadora esta aberta, vamos pra lá.
Ufa, entramos na locadora e despistamos o monstro, e podíamos descansar, aí de repente bateu aquele cansaço e aquele sono, e nós praticamente desmaiamos.

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