EM BUSCA DE RESPOSTAS
Durante a tarde, eu fui à
casa do Albert, mas a mãe dele, que me atendeu, disse:
__Ele não pode sair, esta
de castigo.
__Eu posso subir e
conversar com ele?
__Tá bom, pode, mas seja
rápido.
Eu fui, encontrei o Albert
arrumando uma mochila, eu perguntei:
__Vai fugir de casa de
novo? Você só ta de castigo.
__Não, vou caçar aquelas
coisas- disse ele segurando uma pistola 380.
__Tá doido? Aquilo foi um
sonho, você não ta achando que foi real, ta?
__Não sei, Sebastian, mas
vou descobrir hoje, se eu for lá e não tiver nada, eu paro, mas se eu for e
aparecer outro monstro daquele, eu vou provar que estou certo. E aí, ta comigo?
__E como vamos fazer?
__Me encontre na frente de
sua casa hoje à meia noite, e leve alguma coisa que sirva de arma... Ah! Sim!
Eu falei pros meus pais sobre o ocorrido, e eles ficaram nervosos igual a sua
mãe, como se soubessem de algo que não queriam nos contar, e o Ulisses me ligou
dizendo a mesma coisa, tem alguma coisa estranha nisso, e vamos descobrir hoje,
eu você, o Ulisses e o Kelvin. Pegue sua bicicleta.
Nos despedimos e eu fui pra
casa. Fiquei vento TV a tarde toda, estava procurando um jeito de despistar
minha mãe, pois eu sabia que no quartinho dos fundos, onde o tio Marco dormia,
ele é irmão da minha mãe, mas estava viajando, tinha uma doze, e tinha bastante
munição, ele era sargento e nunca andava desarmado, mas a doze, eu tinha
certeza que estava lá.
Quando minha mãe deu um
vacilo de ir ao supermercado, eu peguei a chave, abri o quarto, peguei a doze e
uma caixinha com 24 balas, fechei o quarto de novo e corri para o meu quarto, e
comecei a arrumar a mochila, com lanterna, bússola, as munições, água, etc.
A tarde caía, e a noite
chegava, e novamente o mesmo cenário, todo mundo se recolhendo e fechando suas
portas, nenhum pé de gente na rua. Dentro de casa eu fui deitar bem cedo, e
fingi que estava dormindo, apenas esperando minha mãe dormir pra eu poder ir
pra rua.
Quando eram onze e meia, eu
me levantei e fui ao quarto de minha mãe, mas antes de chegar na porta, já dava
pra ouvir o ronco dela, aí eu peguei a mochila, e fui pra área da frente de
casa, e fiquei abaixado esperando os outros chegarem. Enquanto eu esperava, eu
notei que a névoa começava a aparecer, eu olhei pra trás e a porta da frente
estava caída, a porta que o monstro derrubou, achei estranho, mas antes de
raciocinar os garotos chegaram, e saímos de bicicleta pela rua.
Não demorou muito pra
sentir aquele arrepio na espinha e aquele medo, então eu disse:
__Galera, tem mais alguém
aqui, perto da gente.
__Virou vidente agora?
__Não, Albert, eu também
estou sentindo, é um arrepio e um medo, e uma sensação desagradável...
Enquanto o kelvin descrevia
e todos focavam sua atenção na descrição dele, eu senti uma soprada de ar
quente no meu pescoço, e pingou uma gosma no meu ombro.
Eu chamei o pessoal, mas minha voz quase não
sai, eles se viraram, gritaram e correram, me deixando para trás sozinho com
aquela coisa, eu peguei a bicicleta e tentei segui-los, mas em meio a tanta
névoa eu não sabia onde eles estavam, e nem podia gritar, pra não denunciar
minha posição pros monstros, então eu só pedalei, e pedalei, e bati em alguma
coisa, era alguma coisa grande, enquanto eu me recuperava da queda, percebi que
a coisa em que eu bati, estava se mexendo, então eu olhei direito e era outro
monstro, parecia um homem da cintura pra cima, o resto era patas de boi, e
tinha rabo e tudo, eu me levantei num pulo e corri, corri o máximo que pude,
mas aquela coisa estava atrás de mim, o pânico foi tomando conta de mim, aquela
sensação de medo incomum me enfraquecia ainda mais, e um desânimo me tomava,
estava quase desistindo de lutar pela minha vida, estava quase me deixando à
mercê daquele monstro, pra ele estraçalhar meu corpo naquelas garras, que eram
visíveis de longe, e eu corria, corria, o máximo que podia, mas não era
suficiente ele estava cada vez mais perto, mais dez passos meus e ele me
alcançaria, e eu não podia correr mais rápido, foi indo até que eu senti sua
mão encostando na minha mochila, aí eu tropecei e caí, e o monstro veio, eu
fechei os olhos e ouvi um tiro, um berro e um tombo, quando abri os olhos o
monstro estava caído, e morto, e um velho me chamou em uma casinha:
__Ei, por aqui garoto.
Eu fui, mesmo sem conhecer
aquele homem, mas ele salvou minha vida, não poderia ser gente ruim, ele me
disse:
__Você está bem?
__Sim, estou, eu não
conheço o senhor, conheço?
__Ah, desculpe, não me
apresentei, eu me chamo James, e você?
__Sebastian.
__E o que você estava
fazendo na rua sozinho a essa hora, Sebastian, não sabe que é perigoso?
__É, agora eu sei, mas não
estava sozinho, estava com meus... AMIGOS!!... Temos que achar meus amigos,
eles podem estar correndo perigo.
Enquanto isso, nas ruas, os
garotos pararam de correr e perceberam que me deixaram pra trás:
__Arf! Eu nunca pedalei
tanto em toda a minha vida, Sebastian, como você sab. Sebastian?
__Ah! Merda, a criatura
pegou o Sebastian, vamos voltar lá, talvez ele ainda esteja vivo.
E voltaram todos, mas se
perderam, por mais que o lugar fosse pequeno e conhecido, eles não achavam o
caminho de volta estavam perdidos, andando em círculos:
__Ô Ulisses, nós não já
passamos por aqui?
__Já, eu me lembro dessa
casa azul, estamos andando em círculos.
Eles estavam perdidos,
enquanto eu queria ir atrás deles, mas Sr. James falou:
__Eu não posso deixar você
sair, pelo menos não antes de eu te contar toda a verdade sobre esse vilarejo,
e das coisas que habitam as ruas desse lugar, que saem à noite...
__Então me conta, por que
fica tudo diferente durante a noite? E essa névoa?
__Agora não dá mais tempo,
volte amanhã que eu te explico...
__Como assim não dá mais
temp. - novamente veio aquele sono muito forte e eu adormeci.
Eu acordei novamente em
casa, já estava se tornando um círculo vicioso, e eu não estava entendendo mais
nada, então eu me levantei, tomei café e fui pra rua, encontrei o Kelvin, que
quando me viu gritou:
__Sebastian! Você esta
vivo!
__E você também, e os
outros?
__Eu não sei, eu só me
lembro que agente sentiu sua falta, e voltamos pra te procurar...
__ A propósito, obrigado
por me deixar lá sozinho com aquela coisa!- eu disse em tom irônico.
__Desculpe, nós achamos que
você tinha fugido também, mas quando voltamos nos perdemos, ficamos andando em
círculos a noite toda, apareceram mais alguns monstros, o Albert descarregou um
pente de 380, e não matou nenhuma coisa daquela, acho que elas não podem ser
mortas com armas comuns...
__Na verdade podem. Quando
vocês me abandonaram, eu corri pra ver se alcançava vocês, mas aí eu não vi
mais ninguém, e tratei de continuar pedalando, mas bati em alguma coisa, era
uma nova criatura, com corpo de gente e pernas de boi, era muito rápida, e eu
corri, deixando a minha bicicleta pra trás, mas a coisa estava quase me
alcançando, aí eu caí, e um velhote me salvou, ele deu um tiro de doze na
cabeça do monstro e ele morreu, o nome do velho é James, e eu tava indo lá pra
agradecer e saber mais sobre tudo isso, ele disse que me explicaria, ah! Sim,
como vocês voltaram pra casa?
__Cara, foi estranho, por
que eu só me lembro que me deu um sono e uma canseira e eu sentei no chão, aí
já acordei em minha cama.
Eu chamei o Kelvin pra ir
comigo até a casa do James, pra ele me explicar, porém a rua terminava antes de
chegar a casa dele, e não haviam mais casas adiante, era como se a casa dele e
a rua tivessem desaparecido da noite pro dia, então eu parei e o Kelvin
perguntou:
__Que foi? Esqueceu onde é
a casa?
__Não, é que a casa não
está mais lá.
__Como assim?
__A casa seria mais ou
menos a quinta, depois dessa última aí.
__muito estranho, ontem a
casa estava aí, e hoje não está mais, parece que tudo que está de noite some
quando amanhece, que loucura!
__É isso! Vamos ver se a
minha bicicleta está onde eu a deixei ontem...
E fomos, mas só que a
bicicleta não estava lá, então eu voltei pra casa, e, pra minha surpresa a
bicicleta estava na garagem, e estava intacta, eu nem sabia o que pensar então
eu não pensei nada, apenas esperei chegar a noite, eu ia sair novamente, e iria
até a casa do Sr. James, ele disse que me explicaria tudo, e eu aguardei a
noite em casa.
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